O Ladrão de Raios – Percy Jackson e os Olimpianos
By Cadu Simões on janeiro 21st, 2010Posted In: Blog
- O Monte Olimpo – disse eu. – Você está me dizendo que realmente existe um palácio ali?
- Bem, agora há o Monte Olimpo na Grécia. E há o lar dos deuses, o ponto de convergência dos seus poderes, que de fato costumava ser no Monte Olimpo. Ainda é chamado de Monte Olimpo, por respeito às tradições, mas o palácio muda de lugar, Percy, assim como os deuses.
- Você quer dizer que os deuses gregos estão aqui? Tipo… nos Estados Unidos?
- Bem, certamente. Os deuses mudam com o coração do Ocidente.
De tanto me dizerem que os livros de Percy Jackson e os Olimpianos são semelhantes a minha história em quadrinhos Nova Hélade, resolvi enfim ler O Ladrão de Raios, primeiro volume dessa série criada por Rick Riordan.
Mas antes de fazer a minha análise sobre esse livro (com spoilers, estejam avisados), cabe aqui uma pequena sinopse pra quem não conhece a história. A série de Percy Jackson de fato parte de uma premissa semelhante a de Nova Hélade: E se os deuses da mitologia grega realmente existissem? Além disso, e se eles permanecessem atuantes mesmo após o apogeu da grécia antiga? E então temos a diferença básica com relação a minha HQ, pois os livros de Percy Jackson se passam nos dias atuais (e até onde percebi, sem nenhuma alteração na nossa história mundial), enquanto Nova Hélade é ambientada em um mundo de história alternativa, num cenário futurista cyberpunk.
Em O Ladrão de Raios somos apresentados ao protagonista Perseu Jackson, ou simplesmente Percy, como gosta de ser chamado. Percy é um garoto de 12 anos, rebelde, que não consegue se encaixar dentro da norma, e por isso é sempre expulso dos colégios internos em que sua mãe o matricula. Até que Percy descobre o motivo de se sentir tão deslocado; ele na verdade é um semi-deus (ou meio-sangue, como é chamado no livro), filho de um dos grandes deuses helênicos.
Muitos tem apontado a série Percy Jackson como o sucessor natural da série Harry Potter. Isso não é por acaso, já que ambos os livros tem como foco o público adolescente. Pelo que pude perceber em alguns fóruns na Internet, há até um certa rivalidade entre os leitores das duas obras, com os fãs de Harry Potter até mesmo acusando Rick Riordan de simplesmente ter copiado a obra de J. K. Rowling.
As semelhanças entre a duas obras são inegáveis, mas não podemos ir ao radicalismo de dizer que se trata de mero plágio. Longe disso. Essas semelhanças existem porque tanto a história do garoto semi-deus de Riordan quanto do bruxinho maconheiro (desculpem, mão resisti a piada) de Rowling estão amparados por uma estrutura narrativa antiquíssima (com pelo menos 4 mil anos de idade) que o mitólogo Joseph Campbell nomeou como monomito, mas ficou mais conhecida como “A Jornada do Herói”.
O monomito está presente nos épicos antigos como Gilgamesh e a Odisséia, e também em épicos modernos como O Senhor dos Anéis e Star Wars. E por se tratar de uma estrutura mítica, não poderia também deixar de estar presente em uma história baseada em mitologia grega como a de Percy Jackson, ou mesmo em Harry Potter, que além de mitologia grega, também possui elementos de mitos de origem celta, saxão e nórdico.
A Jornada do Herói nos aponta para um traçado narrativo que pode ser visto claramente em O Ladrão de Raios (assim como em Harry Potter e tantos outros heróis). Ela começa com a infância do herói, criado longe do pai ou da mãe (ou de ambos), e já logo como bebê recebendo sua primeira provação, que é vencida, demonstrando assim a sua origem divina/mágica/sobrehumana. Mas é só na adolescência que o herói descobre sua verdadeira origem, tendo então que partir em uma aventura iniciatória, que é composta por uma série de trabalhos, obstáculos e inimigos, que se vencidos, dará ao herói o devido reconhecimento como senhor dos dois mundos, tanto do mundo mortal na qual ele foi criado, quanto do mundo divino/mágico/sobrehumano do qual ele descende. Mas o herói nunca está sozinho em sua aventura, e recebe a orientação de um mentor, podendo ainda contar com a ajuda e amizade de outros heróis, que também estão passando por seus próprios caminhos de provas.
Como podemos ver, neste resumo que fiz do monomito (e trata-se de um resumo mesmo, pois a coisa é um tanto mais complexa), podemos encaixar facilmente a história de diversos heróis, desde Hércules, Perseu e Odisseu, até o Homem-Aranha, o Superman ou o Batman. E também, é claro, Harry Potter e Percy Jackson. Se você quer conhecer mais sobre o monomito, em toda a sua complexidade, recomendo ler a obra máxima de Joseph Campbell, O Herói de Mil Faces (e depois leia uma história em quadrinhos do Homem-Grilo que fiz e que relaciona a obra de Campbell aos quadrinhos de Super-Heróis, intitulado O (Super) Herói de Mil Faces).
Mas voltando ao livro O Ladrão de Raios, apesar dele não ser voltado para leitores adultos como eu, gostei muito da história. Ela possui bastante aventura, e bons mistérios, que podem surpreender até mesmo um bom conhecedor de mitologia grega. Eu mesmo comecei lendo o livro tendo certeza que Percy fosse filho de Zeus, por ser o principal deus do panteão olimpiano. Mas no terceiro capítulo, quando a mãe de Percy disse que conheceu o pai dele na praia, já não tinha tanta certeza com relação a Zeus e comecei a desconfiar de um outro deus. Até que no capítulo seis, quando Percy faz a primeira demonstração real de seu poder, controlando a água das privadas no banheiro do acampamento meio-sangue, então minha desconfiança foi confirmada, e ali percebi que ele na verdade era filho de Poseidon (ou Posídon, ou ainda Posidão, dependendo da grafia adotada).
No entanto, outros mistérios se tornam evidentes logo de cara pra quem tem um mínimo de conhecimento sobre mitologia. Como no caso da Tia Eme, no capítulo onze, que muito facilmente já da pra sacar quando ela aparece que se trata da Medusa (apesar disso não atrapalhar nem um pouco o desenvolvimento da cena).
O que me surpreendeu também foi descobrir no final que o Hades não era o vilão da história. Tinha certeza de que ele seria o vilão, pois é muito comum nas histórias baseadas em mitologia grega feita pelos norte-americanos, seja em livro, filmes, quadrinhos ou desenhos animados, colocarem o Hades como vilão. Isso acontece, acredito, devido ao fato do EUA ser um país majoritariamente de religião cristã protestante, então eles costumam fazer uma analogia do Hades e seu reino com o diabo e o inferno, o que é uma analogia extremamente errada.
Como é bem mostrado nos capítulos finais de O Ladrão de Raios, quando os personagens descem ao reino dos mortos, segundo a tradição helênica, todos que morrem, descem como sombras (eidolon (ειδωλον)) para o Hades (a não ser que deixem de pagar o barqueiro, é claro), independente de seu comportamento, moral e ética em vida. Então lá eles são julgados por um dos juízes como Minos e Radamanto, ou ainda pelo próprio Hades, e de acordo com o julgamento, enviados para os submundos que existem dentro do próprio Hades, como os Campos Elísios, para onde vão as pessoas boas, ou a Ilha dos Bem Aventurados, para onde vão geralmente os heróis (digo geralmente pois isso não é uma regra, Aquiles por exemplo, ficou nos Campos de Asfódelos, como podemos ver no Canto XI da Odisséia. Outros heróis, como Hércules, nem mesmo chegaram a ir pro Hades, e ascenderam como deuses e foram morar no Olimpo) ou o Tártaro, que seria um tipo de prisão de segurança máxima para onde foram enviados alguns monstros, Titãs, e muitos outros que resolveram se opor ao reinado de Zeus e enfrentá-lo (e que claramente foram derrotados).
No entanto, mesmo não colocando Hades como vilão, Riordan o classifica diversas vezes com adjetivos como “enganador”, “cruel” e “ganancioso”, o que está bem longe do Hades retratado na tradição helênica. Ele não era de modo algum visto como um deus cruel ou ganancioso, muito menos enganador. Pelo contrário, diversas vezes na tradição literária grega ele é descrito como um deus extremamente justo, por vezes, até mesmo mais do que Zeus. Hades era sim temível e vingativo, mas na medida em que todos os deuses helênicos também eram (e os mitos mostram que todos que tentaram enfrentar os deuses, se deram muito mal). Mas de forma alguma ele era visto como um deus mau. Até mesmo porque Hades não era encarado como o responsável pelas mortes . E nada mais lógico os antigos gregos verem Hades desta forma, afinal, ele era apenas o senhor dos reino dos mortos, e se as pessoas morriam, a culpa não era dele, oras. =)
Em geral as mortes eram atribuídas a deuses como Ares, no caso de uma morte violenta, ou a Apolo, em caso de uma morte por doença ou peste.
Lendo O Ladrão de Raios, percebi que Rick Riordan possui um bom conhecimento sobre mitologia e literatura grega, e apesar de modernizar o visual dos deuses (e nada mais lógico que os deuses assumam aparências de acordo com os novos tempos), ele tende a respeitar e seguir a tradição mítica e literária da grécia antiga, com algumas raras exceções como no caso de Hades, qualificando-o como um deus cruel, como escrevi acima. Ou no caso de Dionísio, transformando ele num deus do vinho que não bebe e com um baita mal humor, diferente da descrição mítica que retrata ele como um deus alegre e sempre sorridente – e sempre bêbado, é claro. =)
Apesar que, por se tratar de um livro infanto-juvenil, é compreensível que Riordan não queira incentivar os jovens a beberem (pelo menos não tão logo cedo), e por isso fez de Dionísio um tipo de integrante de algum grupo de “Deuses Alcoólatras Anônimos”. E por aí também dá pra entender o porquê dele estar sempre de mal-humor, ao contrário de sua personalidade alegre retratada na tradição (eu também se fosse um deus do vinho que tivesse sido proibido de beber, com certeza ficaria muito mal humorado).
Agora com relação a Palas Atená, Rick Riordan não segue de forma alguma a tradição grega, e eu não entendi o porquê disso. Explico melhor. É dito no livro que uma das protagonistas, Annabeth, é filha de Atená. Mas como? Afinal, a deusa não era chamada de “a virgem de olhos glaucos” à toa. Mas aí você pode me dizer que o autor não tem obrigação nenhuma de seguir a tradição e manter a deusa da astúcia como virgem. Concordo. Mas com relação a Ártemis, ele seguiu a narrativa mítica tradicional, e manteve a deusa caçadora virgem. Porque então não fez o mesmo com Atená, que assim como Ártemis, também fez um voto de castidade para se manter eternamente virgem? Ou seja, ao seguir a tradição com uma deusa, e no mesmo aspecto, a virgindade, não seguir com outra, Riordan está sendo incoerente com ele mesmo. Mas claro que isso é piolhice de helenista chato. =)
O fato de Atená ter uma filha não prejudica em nada a história de O Ladrão de Raios. Aliás, dentre os protagonistas, Annabeth é minha personagem favorita. Eu só acharia melhor se ela não fizesse tanto o tipo sabichona como a Hermione de Harry Potter, e fosse uma pessoa mais astuta, matreira, malandra mesmo, como era Odisseu. Apesar de Palas Atená ter ficado mais conhecida como a deusa da sabedoria, ela antes disso era retratada como a deusa da astucia e da esperteza (não à toa ela era filha da deusa Métis, que é a própria personificação da astucia (que em grego é μῆτις), e justamente por Odisseu carregar essas características (como já disse neste post sobre a Odisséia, o principal epíteto dele era politropos (πολύτροπος), algo como o “multifacetado” ou “multiastucioso”) que Atená o tinha como o seu herói preferido. E sendo Annabeth, portanto, filha de Atená (agora conhecida no Olimpo como a “ex-virgem de olhos glaucos”), acho que ela seria uma personagem mais legal se tivesse as características do herói predileto de sua mãe.
Agora uma coisa que gostei muito nesse livro foi com relação a ressalva que os personagens possuem em dizer o nome dos deuses e monstros, inclusive o tempo todo alertando o Percy Jackson para que não faça isso (algo que, apesar disso, ele faz várias vezes). Foi a partir deste detalhe, que pra muita gente pode passar batido, que eu percebi que o Rick Riordan realmente manja de cultura antiga, pois ele traz para seus personagens uma característica importante da mentalidade dos homens da antiguidade, que acreditavam que os nomes podiam ser numinosos ou nefastos. Mas hein? Numinosos? Nefastos? Como assim? Ok, eu explico melhor.
Bem, hoje em dia a mentalidade que as pessoas tem é que os nomes são apenas uma representação virtual-imagética das coisas. Ou seja, como diria Saussure, um nome é um signo linguístico, composto de significante e significado. No entanto, na grécia antiga, principalmente no período homérico, a mentalidade era outra. Eles acreditavam que o nome, em especial das divindades, não eram apenas um representação da coisa, mas a própria coisa em si. Então ao pronunciar o nome você estaria evocando a coisa que o nome representa. E portanto, se você dissesse o nome de um deus, não apenas estaria evocando o deus, mas tudo o que ele representa (por isso que nunca se pronunciava em voz alta o nome de Tânatos, por exemplo, pois era como se você estivesse evocando a própria morte).
Essa mentalidade numinosa/nefasta dos nomes foi também passada pra tradição judaico-cristã. Na passagem clássica do evangelho de João (que provavelmente foi escrito originalmente em grego koiné) podemos ler “kai theos en ho logos” (“καὶ θεὸς ἦν ὁ λόγος”), que costuma ser traduzido para o português como “e o verbo era deus”. Como já expliquei antes neste outro artigo, a palavra logos (λόγος) originalmente possuía no grego antigo o significado de fala ou discurso, e neste aspecto, era usada como sinônimo da palavra mythos (μῦθος). Mas com o tempo, as duas palavras deixaram de ser sinonímias e passaram a pertencer a campos semânticos diferentes, sendo que logos passou a ter também acepção de razão, lógica, estudo (esse último foi o sentido que passou pro português através da sufixação nos nomes de diversas ciências como biologia, arqueologia, sociologia, etc).
Então se o deus judaico-cristão era o próprio logos (a fala, o verbo), ele é capaz de criar coisas apenas pela nomeação dessas coisas (não me espanta que ele tenha criado o mundo em sete dias, assim até eu). E justamente por ser logos, que o nome verdadeiro da divindade não pode ser pronunciado, pois isso a evocaria em toda a sua essência, algo a que nenhum homem poderia resistir. E essa mesma lógica se aplica aos deuses gregos, que é exemplificado no mito de Sêmele, que exigiu a Zeus que o deus aparecesse pra ela em sua verdadeira forma, pra ela ter certeza que se tratava dele. Zeus, por sua vez, atendeu o pedido de sua amada Sêmele, e apareceu a ela em sua verdadeira natureza, como um divino raio, e desta forma acabou fulminando-a.
Podemos ver algo semelhante no penúltimo capítulo de O Ladrão de Raios, quando Percy Jackson derrota Ares, o deus da guerra um momento antes de ir embora, muda para sua verdadeira forma, então Percy vira o rosto de lado para não olhar para a verdadeira natureza de Ares, pois sabia que morreria se fizesse isso.
Com relação a estrutura estilística de O Ladrão de Raios, não curti muito o fato do livro ter narrativa em primeira pessoa (sendo o narrador o próprio Percy), pois esse tipo de narrativa não combina muito em histórias de aventura, causando prejuízo principalmente nas cenas de ação. A narrativa em primeira pessoa combina mais com o gênero policial, pois colabora para o clima de mistério que esse gênero necessita, ou então pra livros com protagonistas mais reflexivos e filosóficos, pois a narrativa em primeira pessoa ajuda a entrar na mente do personagem. Mas para histórias de aventura, como é o caso de O Ladrão de Raios, a narrativa em terceira pessoa é a melhor opção, pois permite mais dinanismo nas descrições das ações dos personagens.
Agora algo que realmente me incomodou em O Ladrão de Raios foi a explicação do porquê dos deuses gregos terem migrados pros EUA. Segundo a história do livro, os deus olimpianos sempre migram para os novos países que se transformam em potência mundiais, e portanto, agora fizeram do EUA a sua nova morada. Achei essa explicação um tanto arrogante e prepotente. Acho que seria uma explicação muito melhor, e mais humilde, se Rick Riordan tivesse usado o mesmo conceito que o Neil Gaiman em seu livro Deuses Americanos (que na verdade é um conceito que o Gaiman “robou” do Terry Pratchett, que já o usava em sua série Discworld). Ou seja, em Deuses Americanos, os antigos deuses migraram junto com as pessoas de seus povos de origem, e passaram a existir também nesses novos países, e continuarão existindo nos lugares enquanto lá houver pessoas que acreditem neles.
Por fim, se você teve saco pra ler até aqui, reitero que gostei muito de O Ladrão de Raios, apesar das minhas ressalvas a certos detalhes apontados neste texto, mas que como já disse, só me incomodaram pois sou um historiador helenista, a maioria dos leitores, e principalmente o público jovem que é o foco do livro, nem vai reparar nessas coisas, e com certeza se divertirá muito com a história.
E o melhor de tudo é que, assim como para mim os livros de Monteiro Lobato como O Minotauro e Os Doze Trabalhos de Hércules serviram como catalizadores para a minha paixão por mitologia e literatura greco-romana, a ponto de eu ter me tornado historiador e graduando em grego antigo, com certeza os livros da série Percy Jackson e os Olimpianos está fazendo o mesmo com toda uma geração de jovens. E só por isso Rick Riordan já merece os meus parabéns. =)
Dados Técnicos
O Ladrão de Raios – Percy Jackson e os Olimpianos
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Autor: Rick Riordan
Editora: Intrínseca
ISBN: 9788598078397
Ano: 2008
Número de páginas: 400
Acabamento: Brochura
Formato: Médio
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Oh, pobre Dionísio. Mas quero ler.
Também sinto pena do Dionísio apresentado em O Ladrão de Raios. Não deve ser fácil pra um deus do vinho não poder beber. Por isso prefiro muito mais o Dionísio que criei pra Nova Hélade, que como o deus do vinho da tradição clássica, é um beberrão selvagem e alucinado =)
meeeo, naum se escreve Dionísio !!! eh dioniso, pelo menos eh assim q se escreve no livro !
Dionísio está correto sim (assim como Dioniso). É uma das formas de transliterar pro português o nome original do deus do vinho, Διώνυσος. Outra forma também aceita é Diónisos, essa inclusive, é a que mais se aproxima do nome original em grego.
Cadu, muito boa a matéria, mas não se esqueça também que Dionísio está de castigo e terá que ficar treinando heróis durante 100 anos(algo assim), por isso é tão emburrado. Quanto a Atena, eu pensava que por ser a deusa sabedoria e justiça ela poderia ser mais mente aberta que Ártemis, mais tal fato não se comprova em ” A Maldição do Titã”, terceiro livro da série. Mas esse livro mostra também como Ártemis toma a vida, deixando claro que continuar virgem foi a melhor opção. Não quero soltar Spoilers, mas se alguém que quer saber eu posto aqui, não é grande.
Olá Cadu, me deparei com seu site por acaso e como fão incondicional da mitologia grega eu gostei muito!
Recentemente li toda a saga do Percy Jackson, comprando os livros publicados e os livros inéditos mas disponibilizados por fãs em traduções para a internet.
Concordo com você em algumas criticas como fã, há uma certa simplificação demasiada do poder dos monstros e da personalidade dos deuses (Poseídon ficou bonzinho demais…).
Referente a virgindade de Athena o 4° Livro da série “a batalha do labirinto” explica como Annabeth e os filhos de Athena são gerados, e a deusa continua na sua condição de virgem, algo que se refere ao próprio mito de nascimento de Athena, fazendo com que o modo do seu nascimento seja repetido no nascimento dos filhos quando a deusa ama um mortal… Apesar das liberdades da trama com a mitologia foi uma saída muito elegante do autor.
Oi Rafael. Achei legal saber que o autor não foi incoerente consigo mesmo e manteve a virgindade de Atená. Se os filhos de Atená são gerados como ela foi, então quer dizer que Annabeth nasceu da cabeça de seu pai? =)
Se for isso, foi uma tacada de mestre de Rick Riordan. Aliás, assim que sobrar um tempinho preciso ler os outos livros da série, pois pelo jeito tá parecendo que muitas das coisas que ficaram soltas e sem explicação no primeiro livro, o autor explica nos outros.
E por fim, fico feliz que tenha gosta do blog de Nova Hélade, e volte mais vezes, inclusive pra ler a minha história em quadrinhos. =D
cara gostei dessa materiia.muiito boa!
para meu trabalho de DEUSES GREGOS,tbm sobre o filme,.
mais no filme Percy tem 17 anos.no livro ele tem 12 anos!
quem for vêr o filme,ira perceber,que ele não tem 12 :D
Oi Douglas. Fico feliz q tenha gostado dessa minha resenha do livro. =)
E se vc ler a minha resenha do filme, verá q eu comento sobre a diferença de idade do Percy no filme em relação ao livro.
Olá, Cadu. Inspirado pelo fanatismo do meu irmãozinho (11 anos) e por essa resenha, fui ler o livro. Eu perdoei todas as deformações de descrição e personalidades dos deus do livro, visto q esta é uuma obra para crianças. Engraçado que você não citou em nenhum momento as correlações dos personagens com aqueles de Harry Potter. O protagonista “se descobrindo”, o Dumbledore centauro, o melhor amigo “comical-relief”, a menina “Crânio” que sabe tudo o que o herói deve fazer… Tem até uma floresta de monstros do lado do local onde ele aprende suas habilidades! Enfim, achei um tremendo pastiche americano, q como toda obra estadunidense não tem um fim definido, apenas uma introdução para uma sequencia. Sera q peguei pesado n minha crítica? Falou!
Oi Pi, eu citei sim as correlações entre Peracy Jackson e Harry Potter. Aliás, é a primeira coisa que faço, lê lá de novo o texto que vc vai ver. E como eu disse, elas correlações não se devem ao fato de um ter copiado o outro, mas sim de ambos os livros estarem usando a estrutura da “Jornada do Herói” (ou monomito) presente em narrativas e épicos míticos tão antigos quanto a própria humanidade.
O protagonista “se descobrindo” como vc diz, nada mais é do que a Iniciação pelo qual todo herói mítico passa. O que acontece tanto com Harry Potter quanto com Percy Jackson é exatamente o que já havia acontecido com inúmeros outros heróis como Perseu, Jasão, Hércules, Teseu, etc.
E tanto Dumbledore quanto Quíron, exercem a função do arquétipo de mentor, que também faz parte do monomito, e está presente em todas as histórias que utilizam essa estrutura, como Star Wars (Obi-Wan Kenobi) ou Senhor dos Anéis (Gandalf). E na verdade, Quíron é o primeiro mentor que temos registros na história, pois ele já é mencionado na Ilíada, que foi composta no sec. IX a.C.
Bem, eu poderia expor extensamente sobre como tanto Harry Potter quanto Percy Jackson se utilizam da estrutura monomítica, já utilizada por tantas outras obras antes, desde o primeiro épico de que temos história, Gilgamesh. Mas ao invés disso, reproduzo a minha recomendação de leitura que coloquei no post; O Herói de Mil Faces, do mitólogo Joseph Campebell, pois neste livro ele vai distrinchar em cerca de de 400 páginas todos os detalhes da “Jornada do Herói”.
Fala, Cadu! Acho um pouco triste que as histórias de heróis sigam uma “fôrma” tão exata que faz com que as epopéias comecem a se repetir. Ainnda bem que no renascentismo surgiram os moldes literários shakespearianos, para dar uma variada, né?
@Pi Bota
O monomito não se trata extamente de uma forma exata e imutável, como um monolito. A estrutura mítica é modular, muito mais parecida com blocos de Lego, e por isso permite uma variedade incrível de construções literárias a partir dela. A criatividade de um autor não está em criar algo do nada, o que é impossível, mas justamente em impor o seu próprio estilo na disposição desses blocos dentro da história de uma forma que ainda ninguém fez.
Por isso não existe história 100% original. Toda obra que é criada, é influênciada direta ou indiretamente pelas obras criadas antes, e este movimento nos remete até os mitos.
Portanto, mesmo Shakespeare utiliza em suas peças, não só a estrutura e os arquétipos míticos, como vários lugares comuns que já eram utilizados na tragédia greco-romana por autores como Sófocles, Ésquilo, Eurípides ou Sêneca. A genialidade e a criatividade de Shakespeare está justamente em pegar esse blocos modulares míticos e trabalhar em cima deles com um estilo todo próprio, através de um escrita bem trabalhada que é só dele.
Pois é, o Dionísio foi punido por seu pai a não beber e ter que monitorar o acampamento. Tbm achei arrogante a desculpa dos deuses morarem nos EUA, se bem que o próprio autor ressalta que “mesmo muita gente não gostando, e assim como muita gente não gostava de Roma também”. Mas diria que a arrogância faz parte da cultura americana.
Gostei do livro, li em apenas uma semana… Amo cultura grega e ele foi bem fiel em grande parte da obra.
Eu já li os quatro livros lançados no Brasil e sou um grande fã da saga. Para ser sincero, odiei o filme com relação a adaptação. Vai um spoiler: no final das contas, o vilão é Cronos, que faz a cabeça de um filhode Hermes (Luke) e este trai os Olimpianos. No filme, nem se fala de Cronos, e os vilões acabam sendo Hades e secundariamente Luke.
Sobre Atena-virgem, no quarto livro Annabeth explica que nasceu literalmente dos pensamentos da mãe, e não numa “reprodução-humana”. Bem, é isso. Gostei muito da sua análise, e espero ansioso para o lançamento do quinto livro (O Último Olimpiano) e uns “almanaques da série”. :)
Atena é virgem, mas essa questão só vai ser abortada no quarto livro da série, “A Batalha do Labirinto”. Annabeth diz para Percy que os filhos de Atena nascem de uma “união de mentes”, como uma junção de saberes.
Alice, como você pode ver pelos comentários acima, já me disseram isso sobre Riordan explicar em A Batalha do Labirinto sobre o modo de concepção de Atená, e que por isso ela mantém sua virgindada.
No entanto, eu escrevi essa resenha com base apenas nas informações que o autor me passa em “O Ladrão de Raios”. Aliás, achei um puta erro ele não explicar sobre a concepção de Atená logo neste primeiro livro, pois assim, quem tem um bom conhecimento sobre mitologia grega não ficaria achando que ele cometeu uma falha e pisou na bola, como eu achei.
Gentee!!! Que post ótimooooooooooooooo!!
Primeiramente vale ressaltar que eu não conhecia esse site, e minha amiga acabou de me indicar via twitter, por causa desse post! Eu sou APAIXONADO por mitologia greco-romana; obviamente, mais a grega! Me lembro com 10, 11 anos indo para a Biblioteca municipal procurar fissuramente por livros desse tema! Como eu daria TUDO pra poder ler Percy Jackson naquela época, pois cresci e hoje com 21 anos, descobrir novos temas, meus horizontes se expandiram e não sou como naquele tempo.
Mas por causa da mitologia grega que eu me apaixonei por Monteiro Lobato com 10 anos! Perdi as contas de quantas vezes eu li os 2 livros de “Os 12 traballhos de Hércules”.
Por causa da Mitologia grega eu descobri uma de minhas escritoras preferidas de todos os tempos: Agatha Christie. Eu tinha 13 anos quando li “Os 12 Trabalhos de Hercule Poirot”, que em toda minha inocencia, não li a sinopse do livro; mas mesmo assim, depois de descobri o engano, li psicoticamente, e de lá pra cá foram dezenas e dezenas de livros dessa autora, que abriu um mundo para os livros do gênero mistério e policial; fazendo eu adorar até autores brasileiros como Marcos Rey até Pedro Bandeira.. enfim!
Eu terminei de ler Percy Jackson há uns 2 meses! Aliás, eu li psicoticamente os 5 livros da coleção em menos de 4 semanas! E posso dizer que ADOREI! Posso dizer que o Rick eh muito inteligente! Ele soube amarrar a trama, com ótimas sacadas; eu particularmente achei inicialmente muito absurda a trama que dá nome ao ultimo livro “Como assim, Zeus, o todo-poderoso do Olimpo, pode achar que um garotinho pode roubar seu Raio? WTF? Assim acaba com a reputação dele”.. Mas ao ler o livro, entendendo a historia, vi que fazia todo sentido, até mesmo com a personalidade orgulhosa dos deuses Olimpianos.
Eu adorei a Resenha! Acho que vi em alguns comentários que ja lhe falaram que na série explica como é feita a concepção dos filhos de Athena neh? Alias, Annabeth é minha personagem preferida! Outro que tbm adoro eh o Luke. Tipo, o vilão?? SIM! E quanto mais eu ia avançado na série mais eu me apaixonava pelo personagem dele! E tipo, ele não é só um vilão, há tanta coisa por trás de sua personalidade, ele é tão complexo.. e tem toda sua dubialidade por trás de seu caráter! Sua relação com Annabeth, e ainda outra personagem, que entra no fim do 2º livro! Fascinante!
Quanto a comparações de séries, isso sempreee vai existir! O povo ama fazer comparações e inventar rivalidades! Eu sou fã de Harry Potter há quase 10 anos e isso não em impediu de adorar Percy Jackson.. Não tenho mente pequena, pra ficar preso em um unico pensamento!
Agora, a adaptação pro cinema! pqp, nem acredito! Ficou horrivel! Acabaram com o Luke no filme!!!!
Aff.. como ficou grande meu coment! ¬¬.. Parabens pela review!
Obrigado pelos parabéns, Wander =)
Não se preocupe quanto ao tamanho do seu comentário. Considero os comentários dos leitores como uma parte essencial do blog, e relatos como o seu sempre agregam valor ao conteúdo do post.
E espero que passe a acompanhar o blog de Nova Hélade.
Olá,
eu te sigo no twitter e vi o seu twit sobre essa review e fiquei curiosa. Ainda bem ! Simplesmente adorei.
Eu já li os livros e também observei a proximidade com a história do bruxinho (eu não faço parte de nenhum dos grupos “rivais”pois gosto muito de ambos livros), mas não sabia que ela tinha um nome: monomito. Isso me deixou ainda mais interessada no review, pois percebi que me traria informações diferentes e (para mim) úteis. =)
Concordo com você quando diz que Annabeth ficou muito parecida com Hermione, o que eu também achei desnecessário (e um pouco irritante, já que eu ficava lembrando da outra durante a leitura de Percy Jackson). Mas isso de fato não estraga a leitura.
Quanto ao fato de Atena não ser mais virgem, eu não vou falar, pois pelo que eu percebi, você ainda não leu os outros livros, mas vou dizer para você não “jump to conclusions” ;D
Também sou fascinada por mitologia grega, e pretendo aprender grego antigo (não sei aonde ainda, mas tenho certeza que vou achar um lugar).
Bom, já falei demais, mas só queria dizer que gostei muito da sua maneira de escrever e que nós temos opiniões muito parecidas sobre o livro. (:
parabéns !
fernanda
Valeu Fernanda. =)
E de fato eu por enquanto só li O Ladrão de Raios, mas como vc pode ver pelos comentários acima, já me avisaram q o Riordan mantém a virgindade de Palas Atená e explica sobre isso em outro livro.
Se vc ler os outros livros vai ver que Athena continua virgem =)
Eu tive que ler essa merda desse livro