O History Channel está exibindo o documentário “Confronto dos Deuses” (“Clash of the Gods”) sobre a mitologia grega. Cada episódio é dedicado a um figura mitológica em específico, como é o caso do episódio postado acima, dedicado a Zeus, o soberano do Monte Olimpo e líder do panteão helênico.

Apesar de muito bom, esse documentário comete alguns deslizes, como chamar Hesíodo de escritor. Como já expliquei neste post, Hesíodo (assim como Homero) era um aedo (um tipo de bardo) e provavelmente compôs suas obras de forma oral, e não escrita. Tantos as obras de Hesíodo quanto de Homero só vieram a ser postas no papel no séc. VI, cerca de 4 séculos depois de suas composições. Até então essas obras (e os próprios mitos) eram passada de geração em geração através de uma cultura oral (semelhantes a dos índios brasileiros, ou a de diversas tribos africanas). E é por essa característica mnemônica que os aedos tinham uma grande adoração por Mnemosine (a própria memória divinizada) e sua filhas, as Musas.

Outra falha que o documentário comete é dizer que o Hades é o equivalente grego ao inferno. Como já expliquei na minha resenha do filme Percy Jackson e o Ladrão de Raios, é um erro comparar o Hades ao inferno, já que segundo a crença dos antigos gregos, todos que morriam iam pro Hades, independente de qualquer julgamento moral e ético (como é feito na tradição judaico-cristã).

Mas apesar desses erros, vale muito a pena assistir a esse documentário, pois ele não se limita a apenas contar os mitos, mas também os contextualiza historicamente, principalmente através dos artefatos e registros arqueológicos. Afinal, como eu também já disse neste outro artigo, os mitos são constituídos historicamente e refletem a mentalidade e os valores de uma sociedade em uma determinada época.

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