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	<title>Nova Hélade &#187; Grécia Antiga</title>
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	<description>Histórias em Quadrinhos + Cyberpunk + Mitologia Grega</description>
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		<title>A Prática Filosófica de Sócrates</title>
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		<pubDate>Wed, 21 Jul 2010 03:46:38 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Cadu Simões</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Pouco sabemos sobre o Sócrates histórico. Isso se deve ao fato de que ele não deixou nenhuma obra escrita. Tudo o que sabemos sobre Sócrates se baseia nas informações de obras escritas por terceiros, seja lhe retratando de forma elogiosa e entusiasmada, como acontece nas obras de seus discípulos Platão e Xenofonte, seja lhe retratando [...]


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			<content:encoded><![CDATA[<p><a target="_blank" href="http://greciantiga.org/img/index.asp?num=0014" target="_blank"><img style="margin: 0px 0px 5px 10px; float: right;" src="http://i119.photobucket.com/albums/o156/homemgrilo/socrates-busto.jpg" border="0" alt="Busto de Sócrates"></a>Pouco sabemos sobre o <a target="_blank" href="http://greciantiga.org/arquivo.asp?num=0384">Sócrates</a> histórico. Isso se deve ao fato de que ele não deixou nenhuma obra escrita. Tudo o que sabemos sobre Sócrates se baseia nas informações de obras escritas por terceiros, seja lhe retratando de forma elogiosa e entusiasmada, como acontece nas obras de seus discípulos <a target="_blank" href="http://greciantiga.org/arquivo.asp?num=0336">Platão</a> e <a target="_blank" href="http://greciantiga.org/arquivo.asp?num=0348">Xenofonte</a>, seja lhe retratando de forma caricatural e debochada, como acontece na comédia <a target="_blank" href="http://greciantiga.org/arquivo.asp?num=0766">As Nuvens</a> de <a target="_blank" href="http://greciantiga.org/arquivo.asp?num=0196">Aristófanes</a>.</p>
<p>Nesse aspecto, Sócrates se torna para nós uma figura tão misteriosa quanto Jesus, por exemplo. O que temos de ambos são os personagens construídos por terceiros, e não os homens históricos. Como ressalta o historiador <a target="_blank" href="http://en.wikipedia.org/wiki/Alfred_Edward_Taylor">Alfred Edward Taylor</a>, a biografia de Sócrates não pode ser o mero registro de fatos, mesmo quando eles são abundantes. O único modo de penetrar no caráter e no propósito que Sócrates possuía é através de um esforço de imaginação construtiva, pois fatos indiscutíveis a respeito dele são extremamente raros.</p>
<p>Um desses fatos que podemos ter como certo é que Sócrates foi julgado e condenado a morte em Atenas, no ano de 399 a.C., sob a acusação de impiedade e por corromper a juventude, como podemos ler na <a target="_blank" href="http://www.submarino.com.br/produto/1/21474132/apologia+de+socrates:+o+julgamento+de+socrates+contado+por+platao/?franq=104739">Apologia de Sócrates</a>, de autoria de Platão. Mas em que medida o texto apresentado por Platão é um testemunho fidedigno do julgamento de Sócrates? De certo, a Apologia não se pretende ser um documento histórico. Ela se mostra mais como uma defesa da “memória” de Sócrates. A Apologia é escrita por Platão com o claro intuito de separar a prática filosófica de Sócrates da prática dos sofistas. Deste modo, a representação do julgamento de Sócrates por Platão é muito mais uma reconstrução daquilo que é provável, no mesmo sentido em que <a target="_blank" href="http://greciantiga.org/arquivo.asp?num=0366">Tucídides</a> reconstrói diversos discursos em sua <a target="_blank" href="http://www.submarino.com.br/produto/1/21404314/historia+da+guerra+do+peloponeso+-+vol.+1/?franq=104739">História da Guerra do Peloponeso</a>, como é o caso do famoso discurso fúnebre de Péricles, do que a representação fiel do que de fato aconteceu e foi dito.</p>
<p>A Apologia pertence aos primeiros <a target="_blank" href="http://greciantiga.org/iniciantes.asp?num=0220">diálogos de Platão</a>. Esses diálogos são chamados em geral de &#8220;diálogos socráticos&#8221;, pois têm Sócrates como personagem principal. Eles evidenciam mais claramente a prática e as idéias de Sócrates, um pensador essencialmente moral e ético. Esses primeiros diálogos são também chamados de &#8220;aporéticos&#8221;, pois fazem o levantamento de diversas questões, mas terminam com essas questões em abertas, inconclusas. Nos diálogos da segunda fase, no qual podemos incluir <a target="_blank" href="http://www.submarino.com.br/produto/1/1783127/republica,+a/?franq=104739">A República</a>, Sócrates permanece como personagem principal, mas suas idéias já não estão tão claras assim, e estão mescladas aos pensamentos do próprio Platão. E por fim temos os diálogos da terceira fase, como <a target="_blank" href="http://www.submarino.com.br/produto/1/121011/timeu+e+critias,+ou+a+atlantida/?franq=104739">Crítias</a>, em que o platonismo avançou para além das concepções socráticas, os pensamentos próprios de Platão ganham contornos mais nítidos e independentes dos pensamentos de Sócrates que os inspiraram.</p>
<p><a target="_blank" href="http://greciantiga.org/img/index.asp?num=0016" target="_blank"><img style="margin: auto; display: block; text-align: center;" src="http://i119.photobucket.com/albums/o156/homemgrilo/escola-de-atenas.jpg" border="0" alt="A Escola de Atenas - Afresco de Rafael"></a></p>
<p>A acusação a Sócrates que levou a sua condenação e morte foi feita por Meleto, um jovem poeta, como podemos ver no diálogo <a target="_blank" href="http://www.submarino.com.br/produto/1/21479099/platao+eutifron+-+bilingue/?franq=104739">Eutífron</a>. Nesse diálogo Sócrates se encontra com Eutífron, um advinho, no Pórtico do Rei. Sócrates está lá justamente para tomar conhecimento da  acusação de Meleto efetuada contra ele. Interrogado por Eutífron por qual motivo Meleto o acusa de corromper os jovens, Sócrates responde: <em>&#8220;Ah!, meu caro amigo, soa estranho para quem o ouve pela primeira vez. Porque afirma que sou um criador de deuses, acrescentado que invento novos deuses e que não acredito nos antigos&#8221;</em>. E Eutífron responde a Sócrates: <em>&#8220;Entendo, Sócrates, e acredito que ele esteja se referindo a esse daimon que tu dizes ouvir a todo momento. Ele deduz daí que promoves inovações no que diz respeito ao divino, de onde se origina sua acusação&#8221;</em>. Esse <a target="_blank" href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Daimon">daemon</a> (<em>δαίμων</em>) de Sócrates, o qual se refere Eutífron, seria um nume, um tipo de divindade que aconselha Sócrates e refreia certas ações dele. É através da voz divina do <em>daemon</em>, por exemplo, que Sócrates escolhia as pessoas o qual iria “examinar” usando sua prática filosófica.</p>
<p>Na Apologia, tomamos conhecimento que Sócrates não foi acusado só por Meleto, mas também por <a target="_blank" href="http://pt.wikipedia.org/wiki/%C3%82nito">Ânito</a>, um influente orador e <a target="_blank" href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Estratego">estratego</a> (<em>στρατηγός</em>),  e por Lícon, figura de menor importância do qual pouco sabemos. Ânito é certamente o mais importante dos acusadores, e provavelmente partiu dele a idéia dessa ação contra Sócrates, tendo usado os outros dois acusadores como subordinados de seus interesses. Fica claro através da Apologia que não foi por questões religiosa que Sócrates recebeu a condenação, como dá a entender pelas acusações, mas sim por questões políticas. Para Ânito, era justamente a prática filosófica e os ensinamentos de Sócrates que o tornavam um homem perigoso politicamente, a ponto de quererem seu exílio de Atenas, ou mesmo a sua morte. Mas que prática filosófica era essa de Sócrates? O que tinha a ensinar um homem que alegava nada saber?</p>
<p>Na Apologia, Sócrates diz que seu amigo Querofonte perguntou ao <a target="_blank" href="http://greciantiga.org/arquivo.asp?num=0585">oráculo de Delfos</a> se existia alguém mais sábio do que ele. Em resposta a <a target="_blank" href="http://greciantiga.org/img/index.asp?num=0924">pitonisa</a> disse que não existia ninguém. Sócrates então ficou intrigado com aquela resposta, pois não se considerava de forma alguma sábio, quanto mais o mais sábio dos homens. Acreditando que o oráculo não podia mentir, pois era a voz do deus, no caso, o deus de Delfos, <a target="_blank" href="http://greciantiga.org/arquivo.asp?num=0181">Apolo</a>, Sócrates iniciou uma investigação a cerca dos dizeres do oráculo, e passou a dialogar com aqueles que tinham reputação de sábios. Em sua investigação, Sócrates percebeu que aqueles que se julgavam sábio, na verdade não eram, e que os conhecimentos deles eram inconsistentes. Sócrates então se deu conta de que de fato era mais sábio do que aqueles que se julgavam sábios, mas não por conhecer mais do que eles, e sim por ter consciência de sua própria ignorância, e não dizer como eles que sabe, quando de fato não sabe.</p>
<p>Sócrates passou a acreditar então que uma missão havia lhe sido conferida pelo deus de Delfos, a de examinar e interrogar as pessoas para que percebessem a fragilidade de seus argumentos e obscuridade de seus conhecimentos. Segundo o próprio Sócrates conta em seu julgamento: <em>&#8220;&#8230;de acordo com a vontade do deus, não deixei de examinar os meus concidadãos e os estrangeiros que considero sábios e, se me parecem que não o são, vou em auxílio do deus revelando-lhes sua ignorância&#8221;</em>. Sócrates fez do aforismo escrito no oráculo de Delfos, <em>&#8220;conhece-te a ti mesmo&#8221;</em> (<em>&#8220;γνῶθι σεαυτόν&#8221;</em>) a base de sua própria vida. E essa seria a partir dali sua única atividade, como ele mesmo diz na Apologia: <em>&#8220;Não tenho outra ocupação senão a de vos persuadir a todos, tanto velhos como novos, de que cuideis menos de vossos corpos e de vossos bens do que da perfeição de vossas almas&#8230;&#8221;</em>. Essa se torna a principal defesa de Sócrates no julgamento contra a acusação de impiedade. Afinal, se a única coisa que ele faz é seguir as ordens do deus de Delfos, ele não pode ser ímpio como afirma seus acusadores.</p>
<p><a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Ficheiro:David_-_The_Death_of_Socrates.jpg" target="_blank"><img style="margin: auto; display: block; text-align: center;" src="http://i119.photobucket.com/albums/o156/homemgrilo/a-morte-de-socrates.jpg" border="0" alt="A Morte de Sócrates - Jacques-Louis David"></a></p>
<p>Essa prática que Sócrates assumiu a serviço do deus de inquirir e examinar as pessoas que se julgam na posse de &#8220;verdades&#8221;, refutando os argumentos delas para que percebam sua ignorância, é chamada de <em>elenkhos</em> (<em>έλενχος</em>). Um elemento importante no <em>elenkhos</em> é o que se convencionou chamar de “ironia socrática”. É uma ironia complexa, <em>&#8220;o que é dito é e não é significado&#8221;</em>, como ressalta <a target="_blank" href="http://en.wikipedia.org/wiki/Gregory_Vlastos">Gregory Vlastos</a>. A ironia seria então aquele momento do diálogo em que Sócrates força o interlocutor a expor as suas crenças ao afirma e reafirma que nada sabe, apesar de por vezes saber mais do que seu interlocutor. E é através dessa ironia que Sócrates consegue fazer o interlocutor se perder nos corredores obscuros do labirinto que ele tinha por conhecimento, fazendo-o reconhecer sua própria ignorância. A partir disso, o interlocutor está pronto para, assim como Sócrates, conhecer a si mesmo. Então começa a fase do diálogo que é chamada de <a target="_blank" href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Mai%C3%AAutica">maiêutica</a>, em que Sócrates ajuda o seu interlocutor a parir suas próprias idéias, não mais impregnadas por chavões herdados e que são vazios de sentido, mas amparadas pela verdade de sua própria alma.</p>
<p>Esse método, no entanto, só tem eficácia com as pessoas que aceitarem dialogar com Sócrates de forma &#8220;amigável&#8221;, e que estejam dispostas a exprimirem suas reais crenças, assim como abandoná-las diante da refutação, para então poderem reconstruir seus conhecimentos. Algo assim já não é tão fácil de acontecer com um interlocutor &#8220;rebelde&#8221;, por melhor que fosse a persuasão e a eloquência de Sócrates.</p>
<p>É interessante notar que em sua defesa descrita na Apologia, em nenhum momento Sócrates apela para a bajulação dos juízes. Como ele mesmo diz: <em>&#8220;Parece-me não ser justo rogar ao juiz e fazer-se absolver por meio de súplica; é preciso esclarecê-lo&#8221;</em>. Percebemos então que a próprio discurso de Sócrates no julgamento é uma comprovação de sua prática filosófica cotidiana, atribuída a ele pelo deus de Delfos. E a prática de Sócrates é a base que ele usa como prova de que seu argumento é verdadeiro. Se consideramos a concepção posterior de retórica de <a target="_blank" href="http://greciantiga.org/arquivo.asp?num=0422">Aristóteles</a>, em que o <a target="_blank" href="http://en.wikipedia.org/wiki/Ethos">ethos</a> (<em>ἦθος</em>) se compõe no <a target="_blank" href="http://en.wikipedia.org/wiki/Logos">logos</a> (<em>λόγος</em>) e pelo <em>logos</em>, o efeito do discurso de Sócrates é de um <em>ethos</em> que se projeta antes do discurso.</p>
<p>No entanto, essa defesa não foi suficiente para absolver Sócrates. Segundo suas palavras na Apologia: <em>&#8220;Não foi por falta de discursos que fui condenado, mas por falta de audácia e porque não quis que ouvísseis o que para vós teria sido mais agradável, (&#8230;) fazendo e dizendo uma porção de coisas que considero indignas&#8230;&#8221;</em>. E assim Atenas condenava a morte aquele que talvez tivesse sido seu melhor cidadão. Um homem que defendia a tese de que virtude (<a target="_blank" href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Aret%C3%AA">aretê</a>, <em>ἀρετή</em>) é conhecimento (<a target="_blank" href="http://en.wikipedia.org/wiki/Episteme">episteme</a>, <em>ἐπιστήμη</em>), e portanto, ninguém erra ou é injusto deliberadamente, mas porque desconhece o justo. Mas a virtude é um conhecimento que não pode ser ensinado, é o conhecimento de si mesmo, que deve ser construído por si próprio, a partir de sua própria alma. E porque não traiu sua alma, Sócrates preferiu a morte a continuar vivendo, pois não havia sentido em viver outra vida que não fosse aquela lhe atribuída pelo deus de Delfos. Sócrates então despede-se na Apologia de forma serena de seus concidadãos: <em>&#8220;Mas eis a hora de partirmos, eu para a morte, vós para a vida. Quem de nós segue o melhor rumo, ninguém o sabe,  exceto o deus&#8221;</em>.</p>


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		<title>Confronto dos Deuses &#8211; Zeus</title>
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		<pubDate>Tue, 20 Apr 2010 21:18:28 +0000</pubDate>
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		<description><![CDATA[O History Channel está exibindo o documentário &#8220;Confronto dos Deuses&#8221; (&#8220;Clash of the Gods&#8221;) sobre a mitologia grega. Cada episódio é dedicado a um figura mitológica em específico, como é o caso do episódio postado acima, dedicado a Zeus, o soberano do Monte Olimpo e líder do panteão helênico. Apesar de muito bom, esse documentário [...]


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			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><object width="480" height="385"><param name="movie" value="http://www.youtube.com/p/2B3F8CF6007EC63A&#038;hl=pt_BR&#038;fs=1"></param><param name="allowFullScreen" value="true"></param><param name="allowscriptaccess" value="always"></param><embed src="http://www.youtube.com/p/2B3F8CF6007EC63A&#038;hl=pt_BR&#038;fs=1" type="application/x-shockwave-flash" width="480" height="385" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true"></embed></object></p>
<p>O History Channel está exibindo o documentário &#8220;Confronto dos Deuses&#8221; (&#8220;Clash of the Gods&#8221;) sobre a mitologia grega. Cada episódio é dedicado a um figura mitológica em específico, como é o caso do episódio postado acima, dedicado a Zeus, o soberano do Monte Olimpo e líder do panteão helênico.</p>
<p>Apesar de muito bom, esse documentário comete alguns deslizes, como chamar Hesíodo de escritor. Como já <a href="http://novahelade.homemgrilo.com/2008/04/o-que-e-mito-o-que-e-mitologia/">expliquei neste post</a>, Hesíodo (assim como Homero) era um <a target="_blank" href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Aedo">aedo</a> (um tipo de bardo) e provavelmente compôs suas obras de forma oral, e não escrita. Tantos as obras de Hesíodo quanto de Homero só vieram a ser postas no papel no séc. VI, cerca de 4 séculos depois de suas composições. Até então essas obras (e os próprios mitos) eram passada de geração em geração através de uma cultura oral (semelhantes a dos índios brasileiros, ou a de diversas tribos africanas). E é por essa característica mnemônica que os aedos tinham uma grande adoração por Mnemosine (a própria memória divinizada) e sua filhas, as Musas.</p>
<p>Outra falha que o documentário comete é dizer que o hades é o equivalente grego ao inferno. Como já expliquei na minha <a href="http://novahelade.homemgrilo.com/2010/02/percy-jackson-e-o-ladrao-de-raios/">resenha do filme Percy Jackson e o Ladrão de Raios</a>, é um erro comparar o hades ao inferno, já que segundo a crença dos antigos gregos, todos que morriam iam pro Hades, independente de qualquer julgamento moral e ético (como é feito na tradição judaico-cristã).</p>
<p>Mas apesar desses erros, vale muito a pena assistir a esse documentário, pois ele não se limita a apenas contar os mitos, mas também os contextualiza historicamente, principalmente através dos artefatos e registros arqueológicos. Afinal, como eu também já <a href="http://novahelade.homemgrilo.com/2008/02/hercules-ou-heracles/">disse neste outro artigo</a>, os mitos são constituídos historicamente e refletem a mentalidade e os valores de uma sociedade em uma determinada época.</p>


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		<title>A Batalha das Termópilas</title>
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		<pubDate>Thu, 01 Apr 2010 01:53:20 +0000</pubDate>
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			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><object width="480" height="385"><param name="movie" value="http://www.youtube.com/p/631F2F1FE9461378&#038;hl=pt_BR&#038;fs=1"></param><param name="allowFullScreen" value="true"></param><param name="allowscriptaccess" value="always"></param><embed src="http://www.youtube.com/p/631F2F1FE9461378&#038;hl=pt_BR&#038;fs=1" type="application/x-shockwave-flash" width="480" height="385" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true"></embed></object></p>
<p>Se você quer saber como de fato foi a <a target="_blank" href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Term%C3%B3pilas">Batalha das Termópilas</a>, esqueça &#8220;Os 300 de Esparta&#8221; de Frank Miller e assista a esse documentário &#8220;A Última Batalha dos 300&#8243; (&#8220;The Last Stand of the 300&#8243;). Apesar de &#8220;300&#8243; ser uma obra de grande beleza estética (e isso tanto <a target="_blank" href="http://www.submarino.com.br/produto/1/1862116/300+de+esparta,+os/?franq=104739">a história em quadrinhos</a> quanto <a target="_blank" href="http://www.submarino.com.br/produto/6/1956283/dvd+300+-+edicao+especial-+duplo/?franq=104739">o filme</a>), ela possui diversos erros históricos em seu conteúdo.</p>
<p>Para começar, Frank Miller não mostra em sua obra que na verdade havia na Batalha das Termópilas cerca de 7 mil soldados gregos, formado por diversas cidades-estados,  o que incluia, é claro, os 300 espartanos, todos liderados por <a target="_blank" href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Le%C3%B3nidas_I_de_Esparta">Leônidas</a>. Ele também ignora a defesa marítima feita no estreito de Artemísio, formada por navios atenienses liderados por <a target="_blank" href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Tem%C3%ADstocles">Temístocles</a>, impedindo que as tropas gregas em terra fossem cercadas pela frota marítima persa. Ah, e os espartanos não lutavam pelados como Frank Miller retrata no seu quadrinho. O exército espartano era formado por hoplitas, soldados pesadamente equipados com armaduras, elmos e escudos de bronze.</p>
<p>Esse documentário mostra detalhadamente tudo isso, e muito mais. As Termópilas era um importante ponto geográfico do ponto de vista estratégico-militar, pois era a única passagem de acesso entre o norte da grécia e as principais cidades-estados localizadas ao sul. Por isso era tão importante montar a defesa militar ali, pois se os exércitos persa, liderados por <a target="_blank" href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Xerxes_I_da_P%C3%A9rsia">Xerxes</a>, conseguissem passar pelas Termópilas, teriam fácil acesso a toda a Grécia.</p>
<p>Além da batalha em si, o documentário mostra também como era a sociedade em Esparta, dando enfaze ao treinamento militar espartano, que começava aos 7 anos de idade. O documentário fala também sobre como era o Império Persa, formado por diversos povos diferentes. E retoma as origens das <a target="_blank" href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Guerras_M%C3%A9dicas">Guerras Médicas</a>, abordando também a primeira grande derrota dos persas, sob o comando de <a target="_blank" href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Dario_I_da_P%C3%A9rsia">Dario</a> (pai de Xerxes), na <a target="_blank" href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Batalha_de_Maratona">Batalha de Maratona</a>. </p>
<p>Enfim, esse é mais um bom documentário sobre a Grécia antiga, e tenho certeza que irá se divertir assistindo-o, enquanto amplia seus conhecimentos.</p>


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</ol></p>]]></content:encoded>
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		<title>Documentário sobre a Grécia Antiga</title>
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		<pubDate>Sat, 25 Apr 2009 05:48:18 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Cadu Simões</dc:creator>
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		<category><![CDATA[Grécia Antiga]]></category>
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</ol>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><object width="480" height="385"><param name="movie" value="http://www.youtube.com/p/0B64417C97C30615&amp;hl=pt-br&amp;fs=1"></param><param name="allowFullScreen" value="true"></param><param name="allowscriptaccess" value="always"></param><embed src="http://www.youtube.com/p/0B64417C97C30615&amp;hl=pt-br&amp;fs=1" type="application/x-shockwave-flash" width="480" height="385" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true"></embed></object></p>
<p>O único canal que sinto falta desde que cancelei minha assinatura da tv a cabo é o History Channel. Esse canal possui uma programação muito boa, exibindo séries de documentário que não apenas são muito informativas, como também bem divertidas. Lembro que várias vezes gravei esses documentários para exibir em sala de aula na época em que eu ainda dava aula de História.</p>
<p>E para nossa felicidade, muitos desses documentários do History Channel estão disponiveis na Internet, em canais de video como o youtube. Um deles é esse documentário sobre a grécia antiga que pode ser assistido no video acima. Ele aborda de forma resumida a História da grécia desde o século XII a.C. no período micênico até o século IV a.C. no período clássico, evidenciando diversas contribuições dos gregos nos mais variados campos de conhecimento como arquitetura, engenharia, matemática, politica, ciências naturais, historiografia, literatura, astronomia e filosofia (ciência essa, aliás, criada pelos próprios gregos antigos).</p>
<p>Enfim, divirtam-se e aprendam com esse documentário. =)<br />
&nbsp;</p>
<h3>Para Saber Mais</h3>
<p>&nbsp;<br />
<a target="_blank" href="http://www.submarino.com.br/produto/1/21457028/politica+no+mundo+antigo/?franq=104739"><img style="margin: 0pt 10px 10px 0pt; float: left;" src="http://i.s8.com.br/images/books/cover/img8/21457028.jpg" /></a><strong>Política No Mundo Antigo</strong> &#8211; <a target="_blank" href="http://www.submarino.com.br/produto/1/21457028/politica+no+mundo+antigo/?franq=104739">Compre Aqui!</a><br />
Autor: Moses Finley<br />
Editora: Almedina<br />
ISBN: 9789724409429<br />
Ano: 1997<br />
Edição: 2<br />
Número de páginas: 176<br />
Acabamento:  Brochura<br />
Formato: Médio<br />
&nbsp;<br />
&nbsp;</p>


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</ol></p>]]></content:encoded>
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		<title>Esboços dos Personagens da Odisséia</title>
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		<pubDate>Mon, 06 Apr 2009 11:57:52 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Cadu Simões</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Segue para vocês os primeiros esboços feitos pelo Laudo de alguns dos personagens da Odisséia. Ainda não são os visuais definitivos, alguns deles ainda podem sofrer modificações, mas de todo modo, fica aqui pra vocês darem uma conferida com alguns comentáros meus a respeito. Esse é Odisseu, o nosso protagonista. O principal epíteto dele é [...]


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</ol>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Segue para vocês os primeiros esboços feitos pelo <strong>Laudo</strong> de alguns dos personagens da Odisséia. Ainda não são os visuais definitivos, alguns deles ainda podem sofrer modificações, mas de todo modo, fica aqui pra vocês darem uma conferida com alguns comentáros meus a respeito.</p>
<p><a href="http://novahelade.homemgrilo.com/wp-content/gallery/odisseia/estudo-odisseia-01.jpg" target="_blank"><img style="margin: auto; display: block; text-align: center;" src="http://i119.photobucket.com/albums/o156/homemgrilo/estudo-odisseia-01-web.jpg" border="0" alt="Odisseu"></a></p>
<p>Esse é <strong>Odisseu</strong>, o nosso protagonista. O principal epíteto dele é <em>politropos</em>, que não possui uma tradução exata, mas pode ser interpretado como &#8220;o de muitas faces&#8221;. Odisseu é o herói astuto por excelência, dissimulado, enganador, que sempre vence seus inimigos e obstáculos atavés da esperteza, e nunca pelo combate direto (como Aquiles faz, por exemplo), e é assim que ele dá a vitória da guerra de Tróia aos aqueus, com a artimanha do cavalo de madeira. Não à toa ele é o herói preferido da deusa Atena, cujo domínios de atuação estão atrelados a inteligência, sabedoria, astúcia e táticas militares.</p>
<p><a href="http://novahelade.homemgrilo.com/wp-content/gallery/odisseia/estudo-odisseia-02.jpg" target="_blank"><img style="margin: auto; display: block; text-align: center;" src="http://i119.photobucket.com/albums/o156/homemgrilo/estudo-odisseia-02-web.jpg" border="0" alt="Calipso"></a></p>
<p><strong>Calipso</strong> é uma ninfa do mar que possui morada na ilha de Ogígia no qual Odisseu irá naufragar e lá ficará por sete anos, compartilhando da cama da ninfa. Calipso oferece a dádiva da eternidade a Odisseu caso ele escolhesse ficar com ela para sempre, mas o nosso herói escolher retornar para casa. Mas não pense que ele faz isso por saudade de sua esposa Penélope e seu filho Telêmaco. </p>
<p>Em parte seu objetivo é sim retornar ao lar para junto de sua família e restabelecer a ordem em sua casa, mas a principal motivação de Odisseu em retornar para casa é para não ser esquecido. O mundo relatado por Homero é um mundo pautado pela honra e principalmente, pela glória. E o herói só consegue as duas coisas se os seus feitos são reconhecidos pelos outros, para que sejam cantados pelos aedos e passados pra frente de geração a geração. É desta forma que um herói de fato se eterniza. Por isso Odisseu precisa voltar para casa, para que ele não seja esquecido, e para que seus feitos sejam lembrados e cantados para todo o sempre.</p>
<p>Vocês provavelmente notaram que essa representação da Calipso desenhada pelo Laudo é bem diferente da inconografia clássica dela. Eu tinha visto uma vez num livro, não lembro exatamente qual, um desenho da Calipso que a representava com traço mais africano e não europeu. O Laudo curtiu essa idéia e resolveu adotá-la na sua representação da Calipso, o que para mim, faz todo o sentido, pois o Odisseu em seu retorno para casa está navegando por lugares distantes das terras que os helenos conheciam, então as figuras que ele encontra pelo caminho podem muito bem ter um biotipo bem diferente dos povos europeus, ficando mais próximo dos africanos ou asiáticos (ainda que muito desses locais sejam lugares míticos que não possuem nenhuma corelação com a geografia real do nosso mundo).</p>
<p><a href="http://novahelade.homemgrilo.com/wp-content/gallery/odisseia/estudo-odisseia-03.jpg" target="_blank"><img style="margin: auto; display: block; text-align: center;" src="http://i119.photobucket.com/albums/o156/homemgrilo/estudo-odisseia-03-web.jpg" border="0" alt="Polifemo"></a></p>
<p>O encontro de Odisseu e seu marujos com o cíclope Polifemo é certamente uma das passagens da Odisséia mais conhecida pelas pessoas em geral. E é esse encontro também que vai resultar na cólera de Poseidon contra o nosso herói. Odisseu irá aprender da pior maneira que apesar de ser o homem mais esperto e astuto do mundo, ainda assim não é nada perante ao poder e supremacia dos deuses do Olimpo.</p>
<p><a href="http://novahelade.homemgrilo.com/wp-content/gallery/odisseia/estudo-odisseia-04.jpg" target="_blank"><img style="margin: auto; display: block; text-align: center;" src="http://i119.photobucket.com/albums/o156/homemgrilo/estudo-odisseia-04-web.jpg" border="0" alt="Penélope e Homero"></a></p>
<p>Por fim, temos os esboços de Penélope e Homero. Penélope era tida pelos antigos gregos como o ideal de mulher (e talvez ainda hoje a considerem assim). A esposa de Odisseu, mesmo na ausência de vinte anos do marido, se manteve fiel a ele mesmo sendo cortejada por inúmeros pretendentes. Penélope é colocada na Odisséia em oposição a Clitemnestra, esposa de Agamênon, que além de trair o marido na sua ausência, é cumplíce do assassinato dele pelo amante Orestes.</p>
<p>Quanto a Homero, como <a href="http://novahelade.homemgrilo.com/2009/03/odisseia-em-quadrinhos/">eu já disse em outro post</a>, ele fará uma participação especial nessa adaptação em quadrinhos de seu próprio poema épico. Esse desenho do Laudo de Homero captou muito bem o momento em que o aedo é tomado pelo espírito das Musas para cantar os seu poema.</p>


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</ol></p>]]></content:encoded>
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		<title>Odisséia em Quadrinhos</title>
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		<pubDate>Wed, 25 Mar 2009 03:07:48 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Cadu Simões</dc:creator>
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<p>Algum de vocês já devem estar sabendo que eu estou roteirizando uma adaptação da <strong>Odisséia</strong> em quadrinhos que será desenhada pelo <strong>Laudo</strong>. A minha idéia com este texto então é contar um pouco pra vocês de como está sendo o meu processo de adaptação, quais as pincipais dificuldade que estou encontrando, e como estou fazendo para contorná-las. Mas antes disso, cabe uma pequena introdução a Odisséia.</p>
<p>Devido a seus dois grandes épicos, a <strong>Iliada</strong> e a Odisséia, <strong>Homero</strong> é considerado o fundadador da literatura ocidental. Todas as histórias contadas dali em diante no Ocidente (e em menor grau no Oriente) possuem uma influência direta ou indireta dessas duas epopéias. Apenas esse fato já demonstra o valor que existe nesta adaptação da Odisséia em quadrinhos que estamos fazendo.</p>
<p>A forma consagrada da Odisséia que chegou até nós é uma poema épico constituido de 24 cantos e cerca de 12 mil versos em hexâmetro dactílico (métrica tradicional da poesia épica na grécia antiga). Ela foi composta provavelmente no século IX a.C. através de uma cultura oral regida pelos aedos, os assim chamados bardos da época, do qual acredita-se que Homero tenha sido um representante. E por muito tempo a Odisséia, assim como a Iliada, foram transmitidas através de várias gerações de forma oral, sendo que primeira versão escrita desses poemas datam apenas do século VI a.C.</p>
<p>A trama principal da Odisséia relata a longa viagem de volta de <strong>Odisseu</strong> a seu lar na ilha de <strong>Ítaca</strong>, após os dez anos da guerra de <strong>Tróia</strong> (<em>Ílion</em>). No entanto, a viagem de retorno de Odisseu não é fácil, e ele enfrenta uma série de desafios e adversários pelo caminho, cujos mais célebere são; o ciclope <strong>Polifemo</strong>, o qual é cegado por Odisseu, que atrai deste modo a ira do deus dos mares <strong>Poseidon</strong>, pai do ciclope; a feiticeira <strong>Circe</strong>, que transforma alguns do homens de Odisseu em porcos; e as sedutoras sereias que encantam os marinheiros e os afogam no oceano.</p>
<p>Estou tentando escrever um roteiro que respeite o máximo possível a Odisséia, no entanto, não se trata de uma adaptação fiel. E nem teria como, afinal, estamos falando de duas linguagens artísticas totalmente diferentes. Se apenas a tradução de um texto de uma língua para outra já pode ser considerada uma “traição”, imagine então adaptar uma história no formato de poesia épica em grego antigo para o formato de história em quadrinhos em português? Como o que eu estou fazendo é uma adaptação em quadrinhos, então obviamente adaptações devem ser feitas para que a história funcione nessa linguagem.</p>
<p>E a primeira dessas adaptações se refere ao tamanho da história. Infelizmente a editora limitou essa adaptação a apenas 96 páginas, então será impossível transportar toda a trama da Odisséia para essa versão em quadrinhos (para isso, precisaria de no mínimo umas 300 páginas), por isso o roteiro irá se ater apenas a trama principal da viagem de retorno do Odisseu e deixará as diversas tramas paralelas de lado, no máximo citando elas rapidamente quando possível.</p>
<p>Outro elemento que precisará ser adaptado a linguagem dos quadrinhos é o diálogo. Na poesia épica os diálogos costumam ser bem extensos, e com muitos monólogos. Esse formato não funciona bem nos quadrinhos, pois torna a leitura maçante e cansativa, poluindo os quadros com muitos textos que sobrepõe as imagens. Por isso, estou tendo que reduzir os diálogos, tornando-os mais dinâmicos, e suprimindo quase que por completo os monólogos e narrações, pois muito deles podem ter seu conteúdos mostrado através das imagens, o que os torna redundantes (lembremos que quadrinhos é antes de tudo uma história contada por imagens, então se o desenho já mostra, o texto deve ser suprimido). </p>
<p>Outro detalhe é que estou mantendo os nomes dos personagens nas suas versões em grego ao invés das versões latinas, como por exemplo Odisseu (que na versão latina é Ulisses). Apesar dos nomes latinos serem mais conhecidos e populares, essa decissão foi tomada pelo seguinte motivo; ao manter os nomes gregos é possível também manter algumas das rimas e jogos de palavras, assim como os epítetos tradicionais, emulando desta forma a sonoridade e ritmo que o poema original possui, o que agrega maior valor literário a essa adaptação.</p>
<p>Outro artifício que será usado para remeter ao leitor a musicalidade da Odisséia é a história iniciando com um aedo (no caso o próprio Homero) cantando a Odisséia na ágora (praça pública) de uma cidade para o público grego do sec. IX, e depois desta cena, entrar na história da Odisséia propriamente dita. Essa cena inicial mostrando Homero recitando a Odisséia na sua forma original (ou seja, o texto estará em grego antigo mesmo) servirá como um requadro literário que fará o leitor adentrar no ambiente em que o poema épico era cantado na grécia antiga, fazendo-o sentir-se como se estive lá naquela época, junto dos outros na ágora ouvindo a bela canção do aedo entoando os versos da Odisséia. Este requadro é também uma forma de dar mais valor educacional a essa adaptação, pois mostrará para o leitor o contexto histórico no qual a Odisséia foi criada e desenvolvida.</p>
<p>Por fim, essa adaptação da Odisséia em quadrinhos não possui a pretensão de substituir a leitura do poema original (e se possível, na lingua original), mas tem como objetivo agradar tanto os leitores que nunca tiveram contato com a poesia homérica quanto os estudiosos e profundos conhecedores da literatura grega. Agora só resta saber se eu conseguirei cumprir esse objetivo. =)</p>


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		<title>Isócrates Contra os Sofistas</title>
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		<pubDate>Sat, 13 Sep 2008 16:55:57 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Cadu Simões</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Através dos arcos de histórias de Nova Hélade, serão abordados nas tramas diversos conceitos e idéias de vários pensadores gregos da antiguidade. Pretendo então escrever uma série de textos abordando esses pensadores cujas as idéias inspiraram Nova Hélade. E para começar, vou falar sobre Isócrates, um pensador que foi de fundamental importância na construção da [...]


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			<content:encoded><![CDATA[<p><img style="margin: auto; display: block; text-align: center;" src="http://i119.photobucket.com/albums/o156/homemgrilo/vaso_pintura.jpg" border="0" alt="Vaso Grego"></p>
<p>Através dos arcos de histórias de Nova Hélade, serão abordados nas tramas diversos conceitos e idéias de vários pensadores gregos da antiguidade. Pretendo então escrever uma série de textos abordando esses pensadores cujas as idéias inspiraram Nova Hélade. E para começar, vou falar sobre <a target="_blank" href="http://www.educ.fc.ul.pt/docentes/opombo/hfe/momentos/escola/isocrates/">Isócrates</a>, um pensador que foi de fundamental importância na construção da educação formal na grécia antiga.</p>
<p>Isócrates nasceu em 436 a.C, na cidade de Atenas. Ele foi discípulo de <a target="_blank" rel="tag" href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Prot%C3%A1goras">Protágoras</a>, <strong>Pródico</strong> e <strong>Górgias</strong>. Tinha como principal adversário político, <a target="_blank" rel="tag" href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Dem%C3%B3stenes">Demóstenes</a>, pois este combatia em seus discursos na assembléia Ateniense os avanços do império de Felipe da Macedônia, enquanto Isócrates via em Felipe um líder apto a executar uma união pan-helênica para combater os inimigos “bárbaros”, em especial, os Persas.</p>
<p>Isócrates foi contemporâneo de <a target="_blank" rel="tag" href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Plat%C3%A3o">Platão</a>, e era de certa maneira tão moralista em seu discurso quanto ele. No entanto, no campo da política, Isócrates possuía uma acepção mais “realista” que Platão, pois via a política como um saber prático. Mas se havia algo em que ambos concordavam, era na crítica que eles faziam aos Sofistas.</p>
<p>E é justamente essa crítica que vemos Isócrates fazer em <a target="_blank" href="http://www.hottopos.com/mirand12/euzeb.htm">Contra os Sofistas</a>, escrito em 390 a.C (acredita-se que esse esse texto deveria ser originalmente mais extenso, pois ele termina abruptamente). Não se sabe exatamente qual a finalidade dos textos de Isócrates, mas supõem-se que este texto específico seja um manifesto em forma de panfleto, escrito para divulgar a recém inaugurada escola de Isócrates e sua paidéia, seu método de educação. E como um bom retórico, Isócrates sabia que não havia melhor maneira de chamar atenção para seu discurso do que começar atacando.</p>
<p>Basicamente o entendimento que Isócrates tinha de filosofia, e dos filósofos, se dava em oposição a concepção dele dos sofistas. E a principal crítica que ele faz ao sofistas é o fato deles cobrarem para ensinar a temperança (sophrosyne) e a justiça (dikaiosyne). Para Isócrates, não havia nenhuma arte (técne) capaz de incutir estes valores naqueles que não fossem naturalmente inclinados para a virtude (areté). No entanto, o estudo e o exercício do discurso poderia engrandecer esses valores nos homens.</p>
<p>A organização do discurso de Isócrates em “Contra os Sofistas” se dá da seguinte maneira. Primeiro, ele começa criticando os erísticos, que podem ser entendidos como todos aqueles que se utilizam da técnica retórica para vencerem uma discussão e calarem os adversário, e que segundo Isócrates, fingem procurar a verdade mas em seus ensinamentos apenas proferem mentiras.</p>
<p>Em segundo, Isócrates censura os “mestres da retórica” que prometem ensinar os discursos políticos. Isócrates os critica por não se preocuparem realmente com a verdade, e vale ressaltar aqui que para ele, no campo da política só há opinião (doxa), sendo a verdade inacessível ao Homem. Ele os critica também por se comportarem de modo estúpido não servindo deste modo como exemplo para seus discípulos. A censura de Isócrates também aborda o fato destes “mestres” não se importarem com a experiência e a natureza de seus discípulos, acreditando eles que basta ensinar uma série de fórmulas prontas para transformarem seus discípulos em excelentes oradores. Isócrates ainda se ressente pelo fato de que as “bobagens” proferidas por estes “mestres” acabam difamando todos aqueles envolvidos com a ocupação da retórica, o que inclui ele mesmo.</p>
<p>Em seguida no seu discurso, Isócrates finalmente irá expor os princípios de seu pensamentos (apesar de já ter evidenciado alguns deles em suas críticas aos erísticos e aos “mestres”). Para Isócrates o poder do discurso surge nos homens de “ótima natureza” e “treinados na experiência”. Por sua vez, a educação teria a função unicamente de tornar estes homens mais hábeis tecnicamente e mais preparados para a investigação, pois assim tornam-se capazes de assimilar prontamente aquilo que encontrariam por acaso.</p>
<p>No que diz respeito a relação entre o discípulo e seu mestre, este deve ser capaz  de explicar seus ensinamentos detalhadamente e também apresentar a si mesmo como um modelo a ser seguido, ao passo que aquele, além de ter o dom natural, deve imitar o seu mestre e exercitar o seu discurso através da prática. Isócrates ainda ressalta que o belo discurso é aquele que é oportuno, conveniente e novo.</p>
<p>Por fim, em seu discurso Isócrates ainda faz mais uma crítica, dessa vez voltado aos antigos autores de manuais de retórica, que teriam na figura de Córax de Siracusa o seu pioneiro. Esses autores prometiam ensinar através de seus manuais como discursar nos tribunais, através do uso, segundo Isócrates, de expressões deploráveis que deveriam ser ditas pelos “invejosos” e não pelos defensores dessa educação. Isócrates ainda os considera piores do que os erísticos, umas vez que estes ao menos prometiam a virtude e a temperança, enquanto aqueles ao incitarem as pessoas ao discurso político, negligenciavam de outros bens e se colocavam como professores de intriga e ganância.</p>
<p>Pois bem, o que podemos concluir a partir dos argumentos apresentados por Isócrates em “Contra os Sofistas” é que ele entendia a filosofia por um sentido mais genérico do “gosto pelo saber”. Para Isócrates, a filosofia ajudava as pessoas a entenderem os problemas éticos e políticos mais claramente, e aliada a retórica, permitia com que elas expressassem suas opiniões diante desses problemas com um zelo maior pelo discurso, que por sua vez, também as auxiliariam na prática. E no entanto, sempre frisando que a justiça não poderia ser ensinada a nenhum Homem por nenhuma arte, ao contrário do que prometia os sofistas.</p>


<p>Sem Posts Relacionados.</p>]]></content:encoded>
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		<title>O que é Mito? O que é Mitologia?</title>
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		<pubDate>Wed, 23 Apr 2008 03:13:12 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Cadu Simões</dc:creator>
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			<content:encoded><![CDATA[<p><img src="http://i119.photobucket.com/albums/o156/homemgrilo/mitos_hercules.jpg" border="0" alt="Mitos de Hercules"></p>
<p>Para poder responder a essas perguntas com precisão, devemos primeiramente abandonar o sentido que a palavra mito assumiu nos dias do hoje, como sendo uma história inventada, inverídica, uma mentira, para então podermos retomar o sentido original da palavra. Mito vem da palavra grega mythos (<em>μῦθος</em>) que pode ser traduzido como discurso ou narrativa. O mito é simplesmente então uma história narrada, indiferente do julgamento que façamos sobre ela de verdadeira ou falsa (ainda mais dado <a target="_blank" href="http://cadusimoes.com/2005/10/a-verdade-nao-existe/">a relatividade do significado de verdade</a>, principalmente quando falamos de grécia antiga). </p>
<p>Esse sentido original do mito está intimamente ligado a oralidade, vocalização, pois a grécia antiga do período homérico possuía uma cultura estritamente oral. Isso quer dizer que as histórias não eram escritas, mas eram passadas de geração a geração através do canto do aedo (<em>ἀοιδός</em>), que pode ser encarado como o bardo helênico. Aliás, aedo vem do verbo aidô (<em>ᾄδω</em>) que significa exatamente &#8220;cantar&#8221;. Homero, para algumas correntes históricas e literárias, seria um desses vários aedos que existiam no século IX a.C.. No entanto, há outras correntes que simplesmente descartam a existência de Homero, mas essa &#8220;questão homérica&#8221; ficará como assunto de um outro post.</p>
<p>Mitologia é formado pelas palavras mythos e logos (<em>λόγος</em>). É interessante notar que nas poesias homéricas as duas palavras são tratadas como sinônimos, mas conforme avançamos para o período da grécia clássica no século V a.C., essa sinonímia vai se perdendo, ao ponto das duas palavras passarem a adotar sentidos opostos. Enquanto mythos passou para o campo semântico do &#8220;crer&#8221;, logos passou para o campo do &#8220;saber&#8221; e da &#8220;razão&#8221;. Mitologia então nada mais é do que o logos aplicado sobre o mythos, ou seja, uma &#8220;racionalização&#8221; e &#8220;sistematização&#8221; dos mitos. Então quando <a target="_blank" rel="tag" href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Hes%C3%ADodo">Hesíodo</a> organizou em uma única obra, &#8220;Teogonia&#8221;, os diversos mitos gregos de origens diferentes e esparsas, dando assim uma unidade lógica a eles, estava exatamente criando uma mitologia grega.</p>
<p>Essa racionalização dos mitos gregos que começa com Hesíodo no século VIII a.C.  irá prosseguir com outros poetas, filósofos e pensadores pelos séculos seguintes, sendo que alguns tentavam historicizar os mitos, e outros procuravam uma interpretação alegórica para eles. O primeiro intérprete alegórico dos mitos gregos foi possivelmente <strong>Teógenes</strong>, de Régia, no século VI a.C. Ele tentava buscar dois tipos de alegoria nos mitos: a alegoria física, que interpretava as divindades como elementos da natureza, e a alegoria moral, que enxergava as ações dessas divindades como disposições da alma. Outros dois grandes nomes da corrente alegórica foram <strong>Plutarco</strong>, com seu <em>&#8220;Ensaio sobre a Vida e a Poesia de Homero&#8221;</em> e <strong>Heráclito</strong>, com sua obra <em>&#8220;Problemas Homéricos Relativos às Alegorias de Homero sobre os Deuses&#8221;</em>, ambos do século I d.C.</p>
<p>Essa corrente de interpretação alegórica dos mitos irá perdurar por todos os estudiosos até o século XVIII, quando então o filósofo alemão <a target="_blank" rel="tag" href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Schelling">Friedrich Schelling</a> propõe em sua <em>&#8220;Introdução a Filosofia da Mitologia&#8221;</em> uma interpretação tautegórica dos mitos, e não mais alegórica. Isso quer dizer que os mitos deveriam ser analisados pelos seus significados próprios, internos, e não externos como fazem os alegóricos.</p>
<p>Essa obra de Schelling se tornou a base para o desenvolvimento de uma nova corrente de analise dos mitos, a chamada corrente simbolista, que tem como um de seus principais representantes o também filósofo alemão <a target="_blank" rel="tag" href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Ernst_Cassirer">Ernst Cassirer</a>. Segundo Cassier, em seu livro <em>&#8220;Filosofia das Formas Simbólicas&#8221;</em>, o mito é algo concreto, pois está relacionado com conteúdos sensíveis através de imagens, existindo desta forma uma unidade entre o objeto e o conceito. A corrente simbólica se propõe então a descobrir a visão de mundo próprio do pensamento mítico, e por conseguinte do homem mítico, que possui categorias de pensamento próprias e diferentes do pensamento racional.</p>
<p>Uma outra corrente que surgiu em seqüência da simbolista foi a funcionalista, que diferente da corrente anterior, propunha uma análise do mito de forma mais prática e funcional, relacionando sempre o mito ao rito (ou vice-versa). Existem duas subdivisões nessa corrente, sendo que a primeira acredita que o rito é posterior ao mito, e portanto, um rito explicaria um mito. Já a segunda acredita que é o contrário, que o mito é que é posterior ao rito, e portanto, um mito serviria para organizar e explicar certa prática social que já acontecia. Alguns nomes da corrente funcionalista são <a target="_blank" rel="tag" href="http://en.wikipedia.org/wiki/Francis_Cornford">Francis Cornford</a>, <a target="_blank" rel="tag" href="http://pt.wikipedia.org/wiki/James_Frazer">James Frazer</a> e <a target="_blank" rel="tag" href="http://en.wikipedia.org/wiki/Eric_A._Havelock">Eric Havelock</a>.</p>
<p>Por fim, a última corrente que surgiu foi a estruturalista, criada em meados do século XX pelo antropólogo <a target="_blank" rel="tag" href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Claude_L%C3%A9vi-Strauss">Claude Lévi-Strauss</a>. A corrente estruturalista buscava a convergência do pensamento mítico ao racional. A idéia era perceber a lógica interna do mito através da redução da narrativa mítica a pequenas estruturas (os <a tagert="_blank" href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Mitema">mitemas</a>). Apesar de Lévi-Strauss ser o nome mais famoso dessa corrente, quem na verdade mais se destacou na analise estrutural do mito, sobretudo o grego, foi historiador francês <a target="_blank" rel="tag" href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Jean-Pierre_Vernant">Jean-Pierre Vernant</a>.</p>
<p>Cada uma dessas correntes procura analisar os mitos sobre enfoques diferentes, sendo que cada uma tem suas vantagens e desvantagens particulares. Mas uma falha que todas essas correntes apresentam é o de tentar generalizar as suas interpretações teóricas a todos os mitos de todos os povos e culturas. Ainda que diferentes mitos de diferentes povos possam ter estruturas idênticas, como bem percebeu mitólogos como <a target="_blank" rel="tag" href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Joseph_Campbell">Joseph Campbell</a>, um método de análise que se aplica bem a mitologia grega não necessariamente servirá também para a mitologia nórdica ou brasileira. Isso acontece porque dentro de uma mesma mitologia não existe apenas um mito de um determinado personagem ou acontecimento, mas vários, e cada um variando em pequenos detalhes um do outro. E para uma boa análise do mito, esses detalhes não podem ser deixados de lado.</p>
<p>No que tange especificamente aos mitos gregos, tendemos a reconhecer como “o mito” aqueles que se tornaram cristalizados pelas obras literárias como a poesia épica ou a tragédia. Mas ainda que a tragédia <em>&#8220;Édipo Tirano&#8221;</em>, de <a target="_blank" rel="tag" href="http://pt.wikipedia.org/wiki/S%C3%B3focles">Sófocles</a>, seja uma excelente representação do mito de Édipo, ela é apenas mais uma dentre inúmeras versões desse mito, e que foram esquecidas ou se perderam na História.</p>
<p>E não pense que a criação de mitos é apenas algo dos povos antigos e deixou de ser feito nos dias de hoje. Como eu já disse neste artigo <a href="http://novahelade.homemgrilo.com/2008/02/03/hercules-ou-heracles/">sobre Heracles</a>, um mito pode sobreviver além de seus povos de origem, e isso acontece justamente pela novas versões deles que vão surgindo, seja com a continuidade da narrativa oral que se transformam de geração para geração, seja com novas obras literárias que buscam um novo olhar sobre um certo mito ou até mesmo tentando recriá-lo completamente para adaptá-lo as novas gerações. Mesmos nas mídias artísticas mais modernas como o cinema, ou inclusive os videogames, essa criação de novos mitos continua a ser feita. E eu mesmo estou criando o meu próprio mito grego com <a href="http://novahelade.com/2008/01/o-todo-poderoso-pag-01/">Nova Hélade</a>. =)<br />
&nbsp;</p>
<h3>Para Saber Mais</h3>
<p>&nbsp;<br />
<a target="_blank" href="http://www.submarino.com.br/produto/1/44176/mito+e+sociedade+na+grecia+antiga/?franq=104739"><img style="margin: 0pt 10px 10px 0pt; float: left;" src="http://i.s8.com.br/images/books/cover/img6/44176.jpg" /></a><strong>Mito e Sociedade na Grécia Antiga</strong> &#8211; <a target="_blank" href="http://www.submarino.com.br/produto/1/44176/mito+e+sociedade+na+grecia+antiga/?franq=104739">Compre Aqui!</a><br />
Autor: Jean-pierre Vernant<br />
Editora: José Olympio<br />
ISBN: 8503004496<br />
Origem: Nacional<br />
Ano: 1999<br />
Edição: 2<br />
Número de páginas: 221<br />
Acabamento: Brochura<br />
Formato: Médio<br />
&nbsp;</p>


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</ol></p>]]></content:encoded>
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		<title>Hércules ou Heracles?</title>
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		<pubDate>Sun, 03 Feb 2008 03:11:19 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Cadu Simões</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Alguém que possui um conhecimento básico de mitologia grega certamente dirá que Hércules nada mais é do que o nome romano do herói grego Heracles. No entanto, Hércules não é exatamente Heracles. Não se trata do mesmo personagem. &#8220;Hã? Mas como não?&#8221; &#8211; é o que perguntaria, ainda surpreso por esta revelação, o aluno do [...]


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			<content:encoded><![CDATA[<p><img style="margin: auto; display: block; text-align: center;" src="http://i119.photobucket.com/albums/o156/homemgrilo/hercules_leao.jpg" border="0" alt="Hércules contra o Leão da Neméia"></p>
<p>Alguém que possui um conhecimento básico de mitologia grega certamente dirá que <strong>Hércules</strong> nada mais é do que o nome romano do herói grego <strong>Heracles</strong>. No entanto, Hércules não é exatamente Heracles. Não se trata do mesmo personagem. <em>&#8220;Hã? Mas como não?&#8221;</em> &#8211; é o que perguntaria, ainda surpreso por esta revelação, o aluno do fundo da sala fã de <a target="_blank" rel="tag" href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Cavaleiros_do_zod%C3%ADaco">Cavaleiros do Zodíaco</a>. </p>
<p>Mas antes de responder a essa pergunta, vejamos o que diz <strong>Georges E. Zacharakis</strong> em seu livro <em>Mitologia Grega &#8211; Genealogias das Suas Dinastias</em> sobre o mito na Grécia:</p>
<blockquote><p>&#8220;(&#8230;) desde sua criação, o mito na Grécia percorreu através do tempo um longo caminho para chegar à forma que conhecemos hoje. Costuma-se dizer que o mito não se refere a tempo e nem a espaço. A expressão não corresponde à realidade. O mito foi criado num tempo e espaço determinados e em condições específicas. Do mito inicial nasceram outros; e destes mais outros que foram reproduzidos, reformados, modificados, completados e alterados. Estes foram apresentados diferentes ou novos, adaptados às condições de tempo e espaço.&#8221; (ZACHARAKIS, 1995, p. 41)</p></blockquote>
<p>Os mitos, portanto, são historicamente constituídos, e expressam a mentalidade e o conjunto de valores de um povo em uma determinada época. E quando há alguma alteração desses valores, ou uma mudança no regime político-social, essas mudanças são em geral captadas pelos mitos, que se modificam para se adaptar a nova realidade daquele povo.</p>
<p>Ainda que os romanos tenham sido altamente influenciados culturalmente pelos helenos, não se trata da mesma cultura. Os romanos adaptaram os mitos gregos aos seus próprios valores e a sua própria realidade sócio-política. Assim, o Hércules romano não é o mesmo Heracles grego, pois ele sofreu inúmeras transformações em seu mito durante a transposição de uma sociedade para outra.</p>
<p>Segundo Zacharakis (1995, p. 77), <em>&#8220;o nome Heracles, em grego significa &#8216;Hera-Cleos&#8217;, glória de Hera, isto é, aquele que luta pela glória da deusa Hera; o companheiro, o amigo, o defensor, o apóstolo da deusa, o sarcedote do seu culto&#8221;.</em> No entanto, nas narrativas dos doze de trabalhos vemos que Heracles não luta em nenhum momento pela glória de Hera, muito pelo contrário, a esposa ciumenta de Zeus é a grande antagonista dele. <em>&#8220;Mas como pode isso?&#8221;</em> &#8211; pergunta o aluno sentado do lado da janela e que não perde um episódio do seriado do Hércules e da <a target="_blank" rel="tag" href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Xena">Xena</a>. </p>
<p>Essa aparente contradição existe porque, como já foi dito, os mitos são modificados à medida que são reproduzidos. E o Heracles sofreu diversas modificações em seu mito já na própria Grécia, antes da chegada dos romanos. Podemos identificar ao menos dois Heracles nos mitos gregos. Um tebano, que também era chamado de <strong>Alciedes</strong>. Esse é o Heracles dos doze trabalhos, e que se tornou mais conhecido. E outro cretense, de origem bem mais antiga. Esse é o Heracles protetor de <strong>Hera</strong>, e que participou dos <strong>Argonautas</strong> liderados por <strong>Jasão</strong>, como é narrado por <strong>Apolônio de Rhodes</strong> na <em><strong>Argonáutica</strong></em>.</p>
<p>Não só Heracles, mas a mitologia grega como um todo tem a sua origem na ilha de Creta e na civilização minóica, que dominou a região da Grécia antes da chegada da tribo dos aqueus, de origem indo-eropéia, que desceram do norte ao mesmo tempo em que outros grupos de mesma etnia migravam para as regiões do norte da Índia, da Ásia Menor, e nos arredores do Golfo Pérsico por volta de 2000 a.C. Essa civilização era chamada de minóica em referência a <strong>Minos</strong>, um lendário rei cretense, mas que muitos historiadores acreditam ser também o nome de título de rei em Creta (assim como <strong>César</strong> se tornou título de imperador em Roma). Diferente dos aqueus, os cretences possuíam um sistema sócio-politico matriarcal, ou seja, a mulher é quem era a chefe da tribo, e por extensão do Estado. Era a mulher que dominava os assuntos religiosos, políticos e sociais, exercendo funções de liderança e com total independência em relação aos homens, que ocupavam uma posição inferior na sociedade. Vejamos porque, segundo Zacharakis, a sociedade minóica se constitui dessa maneira:</p>
<blockquote><p>&#8220;A formação em sociedade foi a primeira necessidade do homem primitivo. E, ainda, o homem observou que em seu ambiente limitado existia a mulher que possuía o poder da reprodução, a força de produzir vida, semelhante àquela da terra, com a influência da lua. A mulher gerava filhos e seu período ginecológico era de 28 dias, em número igual ao ciclo das fases da lua; como também foi notado que as fases da vida da mulher correspondiam àquela da lua: moça-virgem (lua nova), mulher-madura (lua cheia) e anciã (lua velha). Esta semelhança impõe ao homem a consideração e o respeito à mulher elevando-a a uma posição superior e mais próximo ao divino. E em conseqüência de ser a mulher mais e mais constante no ambiente da convivência, foi atribuído a ela o poder de chefia do ambiente e da sociedade. Desde então a mulher ganhou posição prestigiada e foi considerada a chefe da comunidade. (&#8230;)&#8221;<span style="font-style: italic;"> </span>(ZACHARAKIS, 1995, p. 20)</p></blockquote>
<p>Se a religião é um espelho de sua sociedade, não por acaso o grande deus dos cretentese é na verdade uma deusa; <strong>Deméter</strong> (<em>dan-mater</em>, que significa terra-mãe), também conhecida simplesmente por &#8220;a Deusa&#8221;. Ela era uma deusa tríade, ou seja, era formada por três diferente representações que estavam associadas a fase da lua, que por sua vez, estavam associadas as diferentes fases da mulher. Então a Deusa na sua fase de virgindade era representada por <strong>Athena</strong>, em sua fase de maturidade por <strong>Afrodite</strong>, e em sua fase de anciã por <strong>Hera</strong>.</p>
<p>Nesta teogonia minóica, <strong>Zeus</strong> é um deus menor, companheiro da Deusa-Terra, e o elemento fecundador representado pela chuva. O nome dele provém da palavra <em>zauxis</em> que significa jungir ou unir. A exemplo das estações do ano e dos ciclos de chuva, Zeus deveria nascer todos os anos para a fecundação da Deusa-Terra, morrendo logo depois, assim como o zangão que morre logo após fecundar a abelha rainha. Esse mito era representado na sociedade minóica através do ritual de sacrifício.</p>
<p>Todo ano, a rainha, representante da Deusa, deveria escolher um jovem rei como amante (que seria o representante de Zeus), e ele era sacrificado quando o ano tivesse terminado. Com o sangue do rei eram pulverizados os campos cultivados e as lavouras, e isso, acreditavam, iria garantir produtividade e uma boa colheita. A carne do rei era comida pela rainha-chefe e suas sacerdotisas. Logo após este ritual, outro jovem rei era escolhido como novo amante pela rainha, para também morrer no ano seguinte em favor de uma boa colheita. Podemos dizer que ser rei em Creta era uma &#8220;carreira&#8221; que possuía uma &#8220;aposentadoria&#8221; bem precoce.</p>
<p>Mas com o tempo, o &#8220;plano de carreia&#8221; de rei em Creta ganhou algumas melhorias. O rei deixou de ser um &#8220;simples fecundador&#8221; e gradativamente passou a tomar parte dos serviços executivos e seu tempo de vida passou a ser mais prolongado antes de seu sacrifico. Até que no período da chegada dos aqueus, o sacrifico humano foi substituído pelo sacrifício animal (graças as Zeus!). E com essas transformações na sociedade minóica, as sarcedotisas foram substituídas por sacerdotes, e provavelmente é aqui que temos a origem de Heracles, pois segundo o mito cretense, ele teria sido um dos primeiros sacerdotes da Deusa mãe junto com Jasão, <strong>Idas</strong>, <strong>Epimedes</strong> e <strong>Peonéo</strong>. Com o gradativo domínio dos aqueus e o enfraquecimento do domínio minóico, o sistema político-social, de matriarcal passou a ser patriarcal. Assim, com o homem no poder, Zeus passa a ser o supremo-chefe do <strong>Olimpo</strong>, e para a poderosa Hera do passado, resta-lhe o papel de esposa e companheira fiel (esta, no entanto, era uma palavra que Zeus desconhecia).</p>
<p>Quanto a Heracles, que iniciou sua ação como sacerdote de Hera na ilha de Creta, estendeu seus domínios para outras regiões conforme progredia o avanço da nova civilização micênica que se formou após a minóica. A principio, seus feitos estavam concentrados na região próxima a Tebas (como podemos verificar pelos seis primeiros trabalhos), mas com o crescimento de sua popularidade, todos os povos desejavam se identificar com a imagem do herói, e cada um deles dava um jeito de criar um mito (ou modificar um outro) para provar que suas raízes e descendência tinha origem em Heracles. Por isso, os inúmeros feitos e proezas de Heracles não tinham uma seqüência lógica (ainda que dentro da lógica temporal do próprio mito, e não histórica). </p>
<p>Assim, apesar dos esforços, os mitólogos, poetas e dramaturgos não conseguiram colocar os mitos de Hércules numa ordem hierárquica coerente, e seu mitos surgem sob várias formas, de acordo com a época, a região, e a subjetividade dos artistas. Pois, como já foi dito, o mito não é estático, mas sim uma matéria em eterna mutação, que se mantém viva através da História, mesmo além de seus povos de origem. E eu, com <a href="http://novahelade.homemgrilo.com">Nova Hélade</a>, dou minha pequena contribuição pra essa vivacidade da mitologia grega.<br />
&nbsp;</p>
<h3>Para Saber Mais</h3>
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Autor: Moses Finley<br />
Editora: Edições 70<br />
ISBN: 9724403300<br />
Origem: Nacional<br />
Ano: 2002<br />
Edição: 2<br />
Número de páginas: 177<br />
Acabamento:  Brochura<br />
Formato: Médio<br />
&nbsp;</p>


<p>Sem Posts Relacionados.</p>]]></content:encoded>
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		<title>Pankration</title>
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		<pubDate>Thu, 31 Jan 2008 17:35:56 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Cadu Simões</dc:creator>
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		<description><![CDATA[	<p><a href="http://novahelade.com/2008/01/o-todo-poderoso-pag-05/"><img src="http://novahelade.com/comicsrss/2008-01-29-nh01pag05.jpg" border="0" alt="O Todo Poderoso &#8211; Pag. 05" title="O Todo Poderoso &#8211; Pag. 05" /></a></p>	<p><a href="http://novahelade.com/2008/01/o-todo-poderoso-pag-05/"><img src="http://novahelade.com/comicsrss/2008-01-29-nh01pag05.jpg" border="0" alt="O Todo Poderoso &#8211; Pag. 05" title="O Todo Poderoso &#8211; Pag. 05" /></a></p>O pancrácio é um dos temas abordados no primeiro arco de histórias de Nova Hélade. Trata-se de uma das mais antigas lutas gregas, uma mistura de boxe com luta livre, com golpes e técnicas de lutas que incluem socos, chutes, estrangulamentos, agarramentos e imobilizações. Em suma, as únicas coisas proibidas no pancrácio eram morder, arranhar, [...]


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<p>O pancrácio é um dos temas abordados no primeiro arco de histórias de <strong>Nova Hélade</strong>. Trata-se de uma das mais antigas lutas gregas, uma mistura de boxe com luta livre, com golpes e técnicas de lutas que incluem socos, chutes, estrangulamentos, agarramentos e imobilizações. Em suma, as únicas coisas proibidas no pancrácio eram morder, arranhar, golpear os olhos ou a genitália do adversário (pelo menos isso!). As lutas não possuíam limite de tempo, e só acabavam quando um dos lutadores se rendia, ou como não era raro acontecer, morria. Mas mesmo sendo uma luta incrivelmente brutal e violenta, o pancrácio era uma das modalidades esportivas que compunham as olimpíadas na Grécia antiga, e segundos relatos, era o esporte de maior prestígio entre os helenos.</p>
<p><a href="http://greciantiga.org/img/vfn/i573.asp" target="_blank"><img style="margin: 0pt 0pt 5px 10px; float: right;"  src="http://i119.photobucket.com/albums/o156/homemgrilo/ea-anfpanaten.jpg" border="0" alt="Ânfora panatenaica"></a>O termo pancrácio (que pode também ser encontrado grafado como pankration ou pancration) vem do grego pancratium (ou pankratium) que significa “poderes totais” ou “todo poderoso”. O pankrata seria então alguém forte, invencível, poderoso. Não por acaso, a origem mitológica da luta diz que ela foi criada por <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/H%C3%A9rcules" rel="tag" target="_blank">Hércules</a> (no entanto há uma outra versão do mito que diz que o pancrácio foi criado por <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Teseu" rel="tag" target="_blank">Teseu</a>). Há relatos que contam que os antigos pankratas costumavam treinar suas técnicas de estrangulamento com leões. Possivelmente teria surgido daí o mito do primeiro trabalho de Hércules, na qual ele derrota o <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Le%C3%A3o_de_Nem%C3%A9ia" rel="tag" target="_blank">Leão da Neméia</a> que possuía uma pelagem que o tornava invulnerável.</p>
<p>É muito comum em histórias de ficção científica <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Cyberpunk" rel="tag" target="_blank">cyberpunk</a>, até mesmo por uma certa influência que ela sofreu da cultura japonesa (como fica bem claro em autores como <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/William_Gibson" rel="tag" target="_blank">William Gibson</a>), possuir um ou outro personagem hábil em artes marciais (mesmo que seja através de implantes cibernéticos e coisas do tipo). E eu queria que os protagonistas de Nova Hélade também tivessem essa característica. De início eu pretendia que Hércules, Teseu e <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/%C3%81jax" rel="tag" target="_blank">Ájax</a> lutassem <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Kung-fu" rel="tag" target="_blank">kung-fu</a>, ou alguma arte marcial oriental. Mas logo desisti da idéia, pois isso iria ficar completamente deslocado da ambientação da história. Foi aí que pesquisando eu descobri o pancrácio, e ele se encaixou perfeitamente no propósito da história, ainda mais se levarmos em consideração a origem mitológica da luta, como eu citei anteriormente.</p>
<p>Na <a href="http://novahelade.homemgrilo.com/2008/01/29/a-mega-polis-de-atenas/">Mega-Polis de Atenas</a>, o pancrácio, no entanto, é uma luta ilegal. Foi proibida pelo prefeito <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Egeu_%28mitologia%29" rel="tag" target="_blank">Egeu</a> devido as pressões dos grupos conservadores da cidade por ser extremamente violenta, e segundo eles, ser uma má influência para a juventude. Mas isso não impediu que as lutas de pancrácio continuassem a ser realizada secretamente no submundo de Atenas, para a diversão dos ricos apostadores da cidade. E o prefeito Egeu mal sabe que um dos principais lutadores de pancrácio é o seu filho Teseu, e seu amigo Hércules.</p>
<p>Como o pancrácio, assim como os outros esportes olímpicos, era disputado pelos seus atletas completamente pelados, a minha idéia inicial era fazer com que cena inicial de Nova Hélade, onde<a href="http://novahelade.homemgrilo.com/2008/01/29/o-todo-poderoso-pag-05/"> Hércules e Ájax se enfrentam</a>, eles também estivessem nus. Mas aí acabei desistindo da idéia, por um medo, até mesmo bobo, de que muitas pessoas rejeitassem a hq só porque ela tem dois homens pelados lutando. Então pedi pro <strong>Ângelo Ron</strong> colocar uma tanguinha neles. Mas talvez mais pra frente na trama ainda vejamos uma luta de pancrácio como ela era realizada nos tempos antigos. =)</p>
<p>Para mais informações sobre o pancrácio, e sobre as olimpíadas antigas, visitem estes sites:</p>
<ul>
<li><a href="http://discoverybrasil.com/artes_marciais_home/europe_intro/europe_pancracio/index.shtml" target="_blank">Discovery Channel</a></li>
<li><a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Pankration" target="_blank">Wikipedia</a></li>
<li><a href="http://esporte.uol.com.br/olimpiadas/historia/" target="_blank">UOL Esporte</a>
</li>
</ul>


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